Engie Brasil (EGIE3): Preço mais alto de venda de energia impulsiona lucro e Ebitda no 2º trimestre

No período, o preço médio dos contratos de venda de energia foi de R$ 219,52 por MWh, valor 6,9% superior na base anual

Foto: Shutterstock

A Engie Brasil (EGIE3), uma das maiores geradoras de energia privada do país, surpreendeu boa parte do mercado, ao registrar lucro líquido ajustado de R$ 514 milhões no segundo trimestre do ano, uma alta de 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

A surpresa se deve ao fato de a empresa ter conseguido vender energia mais cara no período, sendo que o mercado esperava uma continuação da penalização pelas compras de energia efetuadas em 2021, quando o preço estava mais elevado, em função do risco hidrológico.

No segundo trimestre do ano, o preço médio dos contratos de venda de energia da Engie, líquido dos tributos sobre a receita e das operações de trading, foi de R$ 219,52 por MWh (megawatt-hora), valor 6,9% superior ao registrado um ano antes.

Além disso, o volume de energia alcançou 9.556 GWh (gigawatts-hora) no período, 7,9% superior à energia comercializada no segundo trimestre de 2021, sem considerar as operações de trading.

Com isso, o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que reflete a geração de caixa, deu um salto na comparação anual, para R$ 1,897 bilhão, subindo 24%.

No período, a receita líquida da empresa foi a única linha financeira que caiu na comparação anual, atingindo R$ 2,996 bilhões, valor 4,4% menor que o montante em igual intervalo de 2021.

Mesmo com a expectativa de baixa nos números do segundo trimestre, apenas o lucro líquido ficou abaixo do mercado, de acordo com quatro casas consultadas pela Agência TradeMap.

Arte: Rachel Santos/TradeMap

Em relação ao lucro líquido, o Santander esperava R$ 809 milhões, enquanto a XP Investimentos previa R$ 528,4 milhões, o Banco Inter estimava R$ 632 milhões e o BTG Pactual foi a única casa que ficou abaixo do resultado da Engie, já que previa R$ 488 milhões.

O resultado só não ficou acima das projeções do mercado porque a companhia fez um reconhecido impairment (redução do valor do ativo) de R$ 180 milhões, em decorrência dos avanços no processo de venda da usina termelétrica Pampa Sul, impactando o lucro líquido.

O lucro operacional, por sua vez, ficou acima das expectativas de Santander, XP, Banco Inter e BTG que esperavam R$ 1,67 bilhão, R$ 1,61 bilhão, R$ 1,63 bilhão e R$ 1,33 bilhão, respectivamente.

A receita líquida foi outra linha a ficar acima das estimativas das casas consultadas. A XP previa R$ 2,89 bilhões, o Banco Inter estimava R$ 2,85 bilhões e o BTG calculava R$ 2,74 bilhões. Já o Santander não fez a projeção para esta linha.

Avanço no segmento de transmissão

No último trimestre, ocorreu a transferência formal do sistema Gralha Azul, que o mercado tanto esperava que fosse ajudar a impulsionar os resultados da Engie no período, o que de fato aconteceu.

Localizado no Paraná, o sistema passou para a fase operacional a partir da energização da subestação Castro, o que possibilitou alcançar 94% da RAP (Receita Anual Permitida), que é de R$ 231,7 milhões, ajudando a alavancar o lucro operacional da geradora de energia.

Com avanço geral de 99,9% nas obras, resta agora apenas a conexão da subestação Irati – Ponta Grossa e suas linhas associadas, que estão sob responsabilidade de outros desenvolvedores, cuja conclusão ocorrerá em março de 2023.

Dividendos

Além do resultado positivo, a Engie anunciou o que todo investidor gosta de ouvir, o pagamento de dividendo intercalar.

De acordo com a companhia, o conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 578 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,7082542240 por ação, representando 55% do lucro líquido do primeiro semestre deste ano.

Terão direito os acionistas com posição em 16 de agosto, sendo que a partir do dia 17 os papéis serão negociados “ex-dividendos”. A data de pagamento ainda será deliberada pela diretoria executiva.

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