A Petrobras — embora tenha sido acusada de demorar para reajustar os preços dos combustíveis nos primeiros meses de 2022 e tenha sofrido ameaças de intervenções políticas por parte do presidente Jair Bolsonaro — não pode reclamar dos resultados registrados no primeiro trimestre do ano.
A estatal foi capaz de surfar a alta do petróleo no mercado internacional — que explodiu com a guerra entre Rússia e Ucrânia — e anotou um lucro líquido recorrente atribuído aos acionistas de R$ 43,3 bilhões no período entre janeiro e março, 31 vezes o ganho alcançado em igual intervalo do ano passado, de R$ 1,4 bilhão.
No primeiro trimestre, o preço do petróleo do tipo Brent alcançou uma média de US$ 101,4 por barril, 66,5% a mais que a cotação dos primeiros três meses do ano passado.
O avanço mais do que compensou a retração da cotação média do dólar na venda, que caiu 4,4% em um ano, de R$ 5,47 no primeiro trimestre do ano passado para R$ 5,23 no primeiro trimestre deste ano.
Como resultado, a receita da Petrobras com vendas teve crescimento de 64,4% nos primeiros três meses de 2022 ante igual intervalo do ano passado, para R$ 141,6 bilhões.
O avanço se deu tanto no mercado interno quanto no externo. No doméstico, houve aumento de 65,7%, para R$ 103,2 bilhões. Para clientes internacionais, a expansão foi similar, de 60%, para R$ 38,4 bilhões.
No mercado externo, um dos destaques é que a China aumentou a sua participação como cliente da Petrobras, saltando de 38% para 56% em um ano e se mantendo na liderança. A Europa também cresceu, de 14% para 28%, e os Estados Unidos subiram de 3% para 11%.
Segundo a própria empresa, o resultado da Petrobras também é reflexo de um trabalho para sanear as contas da companhia. No primeiro trimestre, a dívida líquida caiu 16% em relação a um ano antes, para US$ 40,1 bilhões.
A companhia também ressaltou que conseguiu diminuir os custos com produtos vendidos, em 11%, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, como reflexo de menores gastos com importação de gás natural e derivados.
Por outro lado, os custos de produção subiram 11% nos primeiros três meses do ano passado, em razão do aumento do volume produzido e pelo aumento das participações governamentais, que acompanharam o Brent.
O balanço também mostrou que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado subiu 58,8% no trimestre na base anual, para R$ 77,7 bilhões. O Ebitda ajustado recorrente, que exclui itens especiais, subiu 64% período na mesma base de comparação, para R$ 78,2 bilhões.
Dividendos
Também na noite desta quinta, a Petrobras informou que aprovou o pagamento de distribuição de dividendos no valor de R$ 3,715490 por ação preferencial e ordinária em circulação.
Segundo a empresa, o dividendo proposto está alinhado à Política de Remuneração aos Acionistas, que prevê que, em caso de endividamento bruto inferior a US$ 65 bilhões, a Petrobras poderá distribuir aos seus acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e as aquisições de ativos imobilizados e intangíveis (investimentos).
Além disso, ressalta a estatal, a política também prevê a possibilidade de pagamento de dividendos extraordinários, desde que a sustentabilidade financeira da companhia seja preservada.
A primeira parcela, no valor de R$ 1,857745 por ação preferencial e ordinária em circulação, será paga em 20 de junho. A segunda, no valor de R$ 1,857745 por ação preferencial e ordinária, será paga um mês depois, em 20 de julho.
A data de corte será o dia 23 de maio para os detentores de ações de emissão da Petrobras negociadas na B3 e o dia 25 de maio para os detentores de ADRs negociadas na New York Stock Exchange (NYSE).