Devido ao reajuste de preço praticado pela Petrobras (PETR4) no início de março, o UBS-BB acredita ser pouco provável o Brasil passar por um momento de escassez generalizada de combustíveis.
Em relatório publicado nesta sexta-feira (25), o banco de investimentos vislumbra que a alteração no preço da gasolina e do diesel somados às importações pelas distribuidoras pode garantir o abastecimento do mercado.
Apesar disso, o UBS-BB ressalta que, no caso do diesel, a oferta no mercado mundial ficou muito mais restrita por causa da diminuição nas exportações da Rússia, e que a escassez do combustível na Europa pode empurrar os preços para cima e exigir novos reajustes no Brasil.
A própria Petrobras, segundo o banco, reconhece ser incapaz de abastecer sozinha o mercado brasileiro – principalmente com diesel. Dados mostram que no momento essa lacuna pode ser preenchida por importações, e que num cenário onde seja necessário comprar mais combustíveis do exterior as grande distribuidoras podem se beneficiar.
“Essas empresas são as mais eficientes na importação e têm maior capacidade de repasse de preços, com menor preocupação se conseguirão vender esses volumes, dada sua participação de mercado e redes de postos”, disse a instituição.
Relembre o reajuste
A Petrobras aumentou os preços de venda de gasolina e diesel no dia 11 de março deste ano, com o valor do litro da gasolina subindo 18,8%, para R$ 3,86, e o do diesel passando a R$ 4,51 – um aumento de 24,9%. O preço do gás de cozinha também foi alterado, e passou de R$ 3,86 para R$ 4,48 por quilo, alta de 16,1% e equivalente a R$ 58,21 por 13 quilos.
Segundo a empresa, desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro houve uma “disparada dos preços internacionais” do petróleo e outros fornecedores de combustíveis no Brasil reajustaram os preços de acordo.
Leia mais:
Reajuste da Petrobras (PETR4) representa alento aos princípios prometidos
A estatal disse que levou mais tempo para fazer o reajuste, mas que acabou elevando os preços “para que o mercado brasileiro continuasse sendo suprido, sem riscos de desabastecimento, pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras”.
Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (25) pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), a defasagem dos preços da gasolina e do diesel no Brasil em relação aos valores praticados no mercado internacional é de 7% e 17%, respectivamente.