O volume total de pagamentos (TPV) processados pela PagSeguro (PAGS34) no primeiro trimestre deste ano deve crescer e impulsionar o lucro da empresa, ainda que o aumento das taxas de juros prejudique o poder de compra da população.
É isso que estimam o BTG Pactual e o Bank of America (BofA), em relatórios publicados nesta quarta-feira (23), analisando o balanço da empresa de maquininhas. Enquanto isso, na Bolsa de Nova York (NYSE), as ações da companhia de pagamentos cresciam 9,35% às 16h55h. Por aqui, os BDRs negociados na B3 valorizavam 6,75%, sendo negociados por R$19,76.
No quarto trimestre de 2021, o TPV da empresa atingiu R$ 79 bilhões, uma alta de 43% no comparativo com o mesmo período em 2020, e ficou 6% acima do esperado pelo BTG. O BofA acredita que esse TPV sustentou a receita da PagSeguro no período, que atingiu R$ 3,2 bilhões e representou uma alta de 55% na comparação anual.
O que animou os bancos foi a perspectiva passada pela PagSeguro para o primeiro trimestre deste ano. A empresa afirmou que o volume total de pagamentos em janeiro e fevereiro cresceu 48% e 58%, respectivamente, na comparação com os mesmos meses de 2021.
O BTG Pactual afirma no relatório que “o foco para 2022 deve ser o crescimento via clientes de ticket médio mais alto, em termos de TPV”.
Apesar do crescimento na receita e nos pagamentos, as despesas da empresa também aumentaram, e fizeram com que o lucro do quarto trimestre fosse de R$ 301,3 milhões, uma queda de 19,8% no comparativo com os mesmos meses de 2020.
Em relatório publicado nesta quarta, o Goldman Sachs afirma que o lucro líquido da companhia veio 25% abaixo das suas expectativas.
Além disso, vislumbra que a alta nas taxas de juros no Brasil e no mundo deve continuar a pressionar as margens, e que é “improvável que a empresa entregue margens estáveis ou maiores em 2022”.
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No entanto, o BofA enxerga que os resultados da PagSeguro têm sido mais resilientes do que os de alguns concorrentes como a Stone (STOC31), e que as projeções para o primeiro trimestre são “animadoras”.
Apesar do avanço das receitas, a PagSeguro viu também os seus gastos avançarem no quarto trimestre de 2021, atingindo R$ 2,86 bilhões. O número corresponde a um aumento de 82,17% no comparativo com o mesmo período de 2020, onde foi de R$ 1,57 bilhão.
O custo dos serviços aumentou 52% na mesma base de comparação. Segundo o Goldman Sachs, o crescimento foi causado por maiores taxas pagas aos emissores de cartões.
O banco nova-iorquino se mantém neutro em relação à compra das ações da PagSeguro. Em contrapartida, o BTG Pactual e BofA têm recomendação de compra.