A venda dos ativos de telefonia móvel da Oi (OIBR3) para as três grandes empresas de telecomunicações do Brasil deve melhorar a lucratividade do setor como um todo, ao reduzir a concorrência e cortar despesas com campanhas para captar clientes. A TIM (TIMS3), porém, deve ser a grande vencedora deste processo, segundo a agência de classificação de risco Fitch Ratings.
“O perfil de negócios da TIM vai ser mais beneficiado que o da Telefônica Brasil (VIVT3) e o da América Móvil, porque a aquisição vai elevar a sua capacidade de espectro e a parcela de assinantes em relação às concorrentes”, disse a Fitch em relatório.
Nas contas da agência de classificação de risco, a TIM passará a ter 27% dos clientes do mercado de telefonia móvel, ante os 21% atuais – um aumento de 6 pontos porcentuais (pp). Para as outras empresas, o crescimento será menor, de 5 pp – a Telefônica Brasil sairia de 33% para 38%, enquanto a Claro passaria de 28% para 33%.
Além disso, uma vez que a transação for concluída, o espectro móvel da TIM aumentará para 280 MHz, de 231 MHz. O da Telefônica crescerá para 315 MHz, de 272 MHz, enquanto o da Claro ficará estável em 303 MHz.
A Fitch também acredita que a compra está dentro do orçamento das teles, sendo possível que elas utilizem seus balanços para financiar as aquisições e as compras da tecnologia 5G.
Entenda a operação
A venda dos ativos de telefonia móvel da Oi para as três teles foi formalizada em dezembro de 2020 como parte do projeto de equilibrar as contas da companhia, que está em recuperação judicial desde 2016.
A operação foi aprovada tanto pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) quanto pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), mesmo depois de o Ministério Público Federal se mostrar reticente em relação aos negócios.
Desde a aprovação da operação, as ações da TIM subiram 2,75%, e as da Telefônica Brasil, 0,20%. Nesta terça-feira, por volta das 16h35, as ações da TIM caíam 0,43%, a R$ 13,82, enquanto as da Telefônica Brasil caíam 0,94%, a R$ 49,36.
A Oi, cujas ações subiam hoje 2,22%, para R$ 0,92, mas que acumulam queda de 11,54% desde a aprovação da venda dos ativos móveis, pretende usar os recursos obtidos com a operação para reduzir a própria dívida e aumentar a otimização dos negócios, como prometido no plano de recuperação judicial. O ajuste nas contas da empresa é primordial para que a operação seja sustentável daqui para frente.