Diante das incertezas em relação a qual será o impacto do novo aumento de casos de Covid-19 sobre o varejo, qualquer sinal de melhora ou resiliência das vendas é capaz de deixar os investidores um pouco mais esperançosos.
Foi o que aconteceu nesta segunda-feira, dia 17, quando a Cielo publicou os resultados do seu índice de varejo para dezembro e mostrou que o último mês do ano teve expansão da demanda, mesmo com a chegada da Ômicron, que teve os primeiros casos registrados nas últimas semanas de 2021.
Na Bolsa, a principal beneficiada é a própria Cielo, uma vez que parte dos cálculos para medir o indicador leva em consideração as transações registradas nas maquininhas da companhia, conhecida por ter grandes varejistas entre seus clientes, como redes de supermercado, por exemplo.
Por volta das 16h30, as ações da Cielo lideravam as altas do Ibovespa, com avanço de 4,95%, a R$ 2,12, impulsionadas pelo Índice Cielo de Varejo Ampliado (ICVA), que teve crescimento de 1,3% em dezembro ante igual mês do ano anterior e de 0,8% em todo o ano de 2021, em comparação a 2020, em cálculos que já retiram os efeitos da inflação.
Na avaliação de analistas ouvidos pela Agência TradeMap, são números que ajudam a diminuir uma desconfiança que o mercado tem em relação à capacidade da empresa de entregar resultados, manter a liderança e de ampliar o escopo dos clientes. Historicamente focada em grandes varejistas, a Cielo tem tentado atacar empreendedores e pequenas e médias empresas.
Sem a confiança dos investidores, as ações da companhia acumulam perdas de 40,25% em 12 meses. “Mas os dados positivos de dezembro podem ter dado um pouco mais de credibilidade à Cielo”, afirma o analista Henrique Tomaz de Aquino, do banco de investimento do Banco do Brasil (BB-BI).
Na visão de Murilo Breder, analista do Nu Invest, os resultados do indicador da Cielo devem repercutir diretamente sobre o volume transacionado em pagamentos pelos clientes da companhia, que, consequentemente, ajuda o Ebitda. “É de olho nesse possível Ebitda acima do esperado que o mercado reage de forma positiva”, diz.
Líder no setor de maquininhas, a Cielo registrou, no terceiro trimestre do ano passado, o último balanço disponível, R$ 179,7 bilhões em transações, aumento de 8,5% em relação a igual período de 2020. O Ebitda, por sua vez, alcançou R$ 692,8 milhões, avanço de 44,3% no mesmo tipo de comparação.
Para além do ICVA, diz Aquino, as perspectivas do BB-BI para os resultados do quarto trimestre da companhia são positivas. O preço-alvo da casa de análises é de R$ 3,50 no final deste ano, o que representaria alta de 74,13% em relação ao preço de fechamento da última sexta-feira, dia 14. A recomendação, portanto, é de compra.
No entanto, entre as instituições consultadas pelo Refinitiv, 11 das 14 casas que cobrem a companhia têm uma posição neutra em relação ao papel, segundo levantamento disponível na plataforma do TradeMap. Apenas uma recomenda a compra as outras duas indicam venda. A mediana das estimativas de preço-alvo é de R$ 2,75, com máxima de R$ 5.