Jerome Powell terá 2º mandato à frente do Banco Central dos EUA; bolsas americanas sobem

Fed enfrenta a maior inflação em mais de uma década, e começou redução de estímulos recentemente

Jerome Powell

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve / Foto: Flickr

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Em meio à maior inflação em mais de uma década e um patamar ainda elevado de casos de Covid-19, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o republicano Jerome Powell, foi reconduzido pelo presidente democrata Joe Biden a um segundo mandato à frente da instituição.

A outra candidata principal ao cargo, a diretora Lael Brainard, será a vice-presidente do Fed, segundo anúncio da Casa Branca nesta segunda, 22. Parte dos democratas defendia a indicação de alguém mais duro em relação à regulação bancária e a mudanças climáticas na maior economia do mundo, um perfil mais parecido com o de Brainard.

A escolha de Powell, que indica a continuidade da atual política, foi bem vista pelos mercados, com as bolsas de Nova York voltando a ganhar fôlego e o dólar se fortalecendo. Apesar da opção pela continuidade, a expectativa é que no mês que vem Biden indique três outros nomes para posições no Fed cujos mandatos estão expirando, o que permitirá ao democrata imprimir sua marca na instituição.

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A imprensa americana salientou a delicadeza do cenário atual para o Fed, já que a recuperação pós-pandemia e os estímulos dados à economia impulsionaram a demanda com força, quebrando cadeias globais e impulsionando a inflação.

O BC dos EUA está “entre a cruz e a espada”, por assim dizer: por um lado, elevar taxas de juros neste momento reduziria o impulso da atividade econômica após o forte impacto da pandemia; por outro, não agir pode levar os salários a subirem, alimentando ainda mais a alta de preços.

Recentemente, o Fed deu início à retirada gradual de estímulos à economia, o chamado tapering.

Mandato não coincidente também é regra no Brasil

O comando do Fed é escolhido sempre no mês de novembro do primeiro ano de mandato de um presidente eleito, e passa a ser exercido em janeiro do ano seguinte.

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Tradicionalmente, os presidentes dos EUA optam pela recondução do comandante anterior, até para reforçar o caráter de independência do comando da instituição. A exceção foi o ex-presidente Donald Trump, que em 2017 optou por não reconduzir Janet Yellen ao cargo e indicou Powell ao comando do banco central do país.

Em fevereiro deste ano, com a aprovação da autonomia do Banco Central brasileiro, os mandatos da presidência e da diretoria da nossa autoridade monetária também passaram a ser não coincidentes com o do presidente da República. Dessa forma, o atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, só será subbstituído ou reconduzido ao cargo em 31 de dezembro de 2024.

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