Classificação de Fundos – Renda Fixa

moedas em jarro

Marujos, no antigo anterior falamos sobre a classificação de fundos multimercados. Agora já podemos falar do segmento de renda fixa! Então bora lá:

Os fundos de renda fixa estão entre os fundos mais seguros do mercado de capitais. Isso acontece porque, no mínimo, 80% de seu patrimônio deve estar investido em ativos de renda fixa, como os títulos públicos, debêntures, CDBs, LCI e LCA, além de outros tipos.

Isso faz com que o rendimento desses fundos seja mais previsível e constante, geralmente “seguindo” as taxas de juros do mercado, como o CDI e a Selic, ou até mesmo os principais índices de inflação, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Vale ressaltar que no dia 18 de setembro, o Copom decidiu reduzir a taca básica de juros em 0,5%, para 5,5 pontos percentuais ao ano. Leia mais.

Assim como para os fundos de ação e multimercados, a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) divide a classificação dos fundos de renda fixa em três níveis:

  • Nível 1: faz referência às classes de ativos na carteira (renda fixa)
  • Nível 2: diz respeito aos diferentes tipos de gestão
  • Nível 3: às estratégias específicas dos gestores.

Veja abaixo o resumo da ANBIMA:

Fonte: ANBIMA
Classificações Nível 2

No nível dois, os fundos de renda fixa são separados em: RF Simples, Indexados, Ativos de duração baixa, média, alta e livre, e Exterior. Vamos falar sobre cada um deles, marujos! Preparados?

Renda Fixa Simples

Eles são fundos que possuem, no mínimo, 95% de seu patrimônio líquido composto por títulos públicos federais ou títulos de renda fixa de instituições financeiras com baixa classificação de risco.

Além disso, esses fundos podem realizar operações com derivativos exclusivamente para fins de proteção da carteira e são constituídos sob a forma de condomínio aberto.

Indexados

Por sua vez, os fundos classificados como indexados têm o objetivo de seguir as variações de indicadores de referência do mercado de Renda Fixa, como o CDI, IPCA, Selic e IGP-M, mas existem outros também.

Ativos

Bom, aqui os fundos são classificados de acordo com a duração média ponderada dos ativos da carteira, que nada mais é uma medida de sensibilidade frente a variações nas taxas de juros.

Dito isso, supomos que um fundo tenha 80% da carteira em um ativo de duração de 2 anos e 20% em um ativo de duração de 5 anos: logo a duração média ponderada da carteira será de 2.6 anos, ou seja, 2 anos multiplicado por 80%, somado a 5 anos multiplicado por 20%.

Por isso, a duração de um ativo é o prazo médio em que o proprietário de um título de renda fixa irá recuperar o investimento feito ao adquirir o papel. Então quanto mais longe estiverem os pagamentos de um título, incluindo o principal, maior será sua duração.

Carteiras com ativos de renda fixa de duração mais alta tendem a apresentar maiores variações em sua rentabilidade frente às mudanças nas taxas de juros. Enquanto carteiras com ativos de duração mais baixa pendem a apresentar menor sensibilidade ante às variações nos juros.

Essa classificação engloba:

  • Duração Baixa
  • Duração Média
  • Duração Alta
  • Duração Livre

Vejamos:

Duração Baixa: objetivam investir em ativos de renda fixa de modo que a duração média ponderada da carteira seja menor que 21 dias úteis. Entre os ativos, são os que tendem a ter menores oscilações dos preços de seus papéis. Estão nesta categoria também os fundos que investem em ativos de renda fixa remunerados sobre a taxa flutuante em CDI ou Selic.

Duração Média: investem em ativos de renda fixa de forma que a duração média ponderada da carteira seja inferior ou igual a duração do IRF-M (índice da ANBIMA composto por títulos públicos federais prefixados), apurado no último dia útil de junho.

Duração Alta: buscam seus retornos investindo em ativos de renda fixa de maneira que a duração média ponderada da carteira seja igual ou superior a do IMA-GERAL (índice da ANBIMA composto por todos os títulos públicos federais), apurado no último dia útil de junho.

Duração Livre: não têm compromisso de manter limites mínimo ou máximo para a duração média ponderada da carteira.

Exterior

Este segmento engloba fundos que buscam investir 40% ou mais de seu patrimônio líquido em ativos financeiros no exterior. Os limites utilizados nas classificações são acumulativos, ou seja, fundos de renda fixa devem possuir ao mínimo 80% de seu patrimônio em ativos de renda fixa, ao mesmo tempo que 40% ou mais desse patrimônio deve estar em ativos financeiros no exterior.

Até aí tudo bem, marujos? Agora vamos seguir para a última classificação, certo?

Classificações Nível 3

No nível 3, os fundos de Renda Fixa Simples e Indexados são simplesmente categorizados em Simples e Índices, respectivamente. Ou seja, os indexados são separados de acordo com seu índice de referência.

Já a categoria Exterior é subdividida no nível três em:

  • Investimento no Exterior – fundos que simplesmente buscam investir em ativos financeiros no exterior em parcela igual ou superior a 40% do patrimônio líquido
  • Dívida Externa – fundos que aplicam ao menos 80% de seu patrimônio em títulos representativos de dívida externa da União, isso é, títulos que tem como objetivo financiar dívidas externas contraídas pelo Brasil

Os Ativos (Duração Baixa, Duração Média, Duração Alta e Duração Livre), por sua vez, possuem três possibilidades de classificação no nível 3: Soberano, Grau de Investimento e Crédito Livre:

  • Soberano: são os fundos que investem 100% em títulos públicos federais do Brasil
  • Grau de Investimento: investem, no mínimo, 80% do patrimônio líquido em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito, tanto internos quanto externos
  • Crédito Livre: podem manter mais de 20% de sua carteira em títulos de médio e alto risco de crédito, tanto no mercado doméstico quanto externo
Quais são as principais vantagens?
Gestão Profissional

Conforme dito anteriormente, os títulos de renda fixa podem não ser tão simples assim para operar. Calcular os riscos, volatilidades e estar sempre de olho no mercado para saber a hora certa de se vender um ativo estão entre os principais papéis de um gestor, e não é diferente para os fundos de Renda Fixa!

Diversificação

O volume financeiro disponível no fundo de Renda Fixa permite que o gestor negocie melhores prazos, taxas e, consequentemente, uma variabilidade maior de investimentos que faz para o fundo.

Vamos supor que algum dia você tenha que escolher entre um CDB de boa rentabilidade, com mínimo de 1 milhão de reais, e uma debênture, também extremamente atrativa do ponto de vista de rendimento, mas com o mínimo extremamente alto. Qual aporte realizar? Um fundo de investimento de Renda Fixa, na grande maioria dos casos, poderia escolher os dois títulos devido ao grande volume financeiro do fundo.

Liquidez

Os fundos de Renda Fixa, em geral, possuem liquidez baixa se compararmos com fundos de outras classes. Isso os torna uma boa opção como reserva de emergência. Já que isso se dá justamente devido aos ativos que compõem a carteira – os ativos de Renda Fixa, principalmente Títulos Públicos Federais, costumam ter alto volume de negociação, ou seja, são fáceis de vender ou comprar.

Principais Desvantagens
Taxa de administração

Imagina que um fundo de Renda Fixa seja composto apenas por um CDB qualquer, e que o gestor pretende carregá-la até o vencimento. Caso você, investidor pessoa física, se depare com as opções de investir diretamente nesse mesmo papel até o vencimento ou comprar cotas do fundo em questão, o que faria?

Devido à taxa de administração, o rendimento do fundo seria levemente menor que o rendimento do papel, portanto a primeira escolha seria a ideal. Entretanto, isso é apenas uma situação fictícia, e é muito improvável que qualquer fundo de Renda Fixa opere como no exemplo acima.

Come-cotas

O come-cotas é a alíquota semestral de Imposto de Renda que incide em alguns fundos de investimento, entre eles os de Renda Fixa. Em outros produtos de RF, a tributação ocorre apenas no momento do resgate.

E aí, vale a pena?

Resumindo, essa classe é uma boa alternativa de investimento para quem busca segurança e consistência para o rendimento da carteira, tanto para investidores iniciantes no mercado de renda fixa, quanto para investidores que já possuem certa experiência.

Inclusive, veja aqui o artigo do TradeMap onde explicamos tudo para você sobre os principais ativos de renda fixa!

Note que, diferentemente do que muitos investidores pensam, os fundos de renda fixa variam muito de estratégia para estratégia e, assim como os multimercados e de ações, devem ser escolhidos não apenas considerando o rendimento, assim como variáveis: liquidez, risco e objetivos pessoais também são essenciais no processo de decisão.

Deixe seu comentário abaixo e fique de olho nos próximos artigos! Até a próxima, marujos!

Foto: Unsplash

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