Classificação de Fundos Multimercados

Hey, marujo! No artigo anterior falamos como funcionam os fundos de ação e suas principais subclasses. Caso ainda não tenha visto, corra e veja agora mesmo e, logo em seguida, volte para este texto, certo? Bom, após a leitura, então já podemos partir para os fundos multimercados, uma das classes preferidas entre os investidores. Então bora lá, investidor!

Antes de mais nada, temos que entender que os multimercados são fundos que não possuem restrição preestabelecida no que diz respeito à concentração de seu patrimônio líquido em classes de ativos. Por isso, são uma ótima opção para quem busca uma maior diversidade dentro do portfólio.

De maneira formal, os fundos multimercados devem possuir políticas de investimento que envolvam vários fatores de risco, sem compromisso de concentração em nenhum fator em especial.

ANBIMA

Assim como faz para os fundos de ação, a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) divide a classificação dos multimercados em três níveis, sendo que o nível 1 faz referência às classes de ativos na carteira, o nível 2 diz respeito aos diferentes tipos de gestão e o nível 3, às estratégias.

Os multimercados, no nível 2, são separados em Indexados, Ativos e Investimento no Exterior, e dentro de cada item existem diferentes estratégias, conforme apresentado abaixo:

Fundos
Fundos Multimercados (Fonte: ANBIMA)

Dito isso, agora podemos falar de cada tópico e deixar tudo ainda mais claro para você, marujo!

Alocação

São fundos que buscam retorno no longo prazo por meio de investimento em diversas classes de ativos – renda fixa, ações, câmbio, entre outros –, incluindo cotas de fundos de investimento.

Esses fundos usam, prioritariamente, a estratégia de asset allocation, para buscarem um retorno de longo prazo, como falado anteriormente. No nível 3, eles são classificados conforme a liberdade da carteira ou necessidade de manter um benchmark composto. Vejamos:

  • Balanceados: possuem estratégia de alocação pré-determinada, devendo especificar o mix de investimentos nas diversas classes de ativos, incluindo variações táticas. Por sua vez, o benchmark do fundo deverá acompanhar o mix de investimentos explicitados. Dessa forma, não podem ser comparados a uma única classe de ativos (por exemplo, 100% do CDI). Os fundos nessa categoria não admitem alavancagem.
  • Dinâmicos: diferentemente dos balanceados, os dinâmicos não têm compromisso com um mix pré-determinado de ativos. Sua política de alocação é flexível, reagindo às condições de mercado e ao horizonte de investimento. Os fundos dinâmicos admitem alavancagem.
Estratégias

Esses segmentos abrangem os fundos que se baseiam nas estratégias adotadas pelo processo de investimento do gestor como forma de atingir os objetivos. São fundos que admitem alavancagem. Vamos ver as classificações no nível 3:

  • Macro: realizam operações e sustentam estratégias baseadas em cenários macroeconômicos de médio e longo prazo.
  • Trading: Exploram com mais frequência as oportunidades de ganhos originados por movimentos de curto prazo nos preços dos ativos.

  • Long and Short – Direcional: nós, investidores, podemos montar posições compradas e vendidas em cima dos ativos. Para simplificar, em posições compradas ganhamos quando o preço do ativo sobe Por exemplo: comprar uma ação. Já quando montamos uma posição vendida, esperamos que o preço do ativo caia, como por exemplo vender uma ação alugada. No dia de devolver a ação alugada para o locador, se o preço da ação tiver caído, você irá recomprá-la por um preço menor que vendeu e devolverá ao proprietário, realizando, assim, um ganho com a queda do preço da ação. Os fundos Long and Short – Direcional montam posições compradas e vendidas nos mercados de ações e derivativos ligados a esse mercado, e o resultado do fundo deve ser proveniente, principalmente, da diferença entre essas posições.

  • Long and Short – Neutro: os fundos Long and Short – Neutro também montam posições compradas e vendidas em ações e derivativos desse mercado. A diferença é que o objetivo é manter a exposição líquida limitada a 5%. A exposição líquida é dada pela soma das porcentagens das posições compradas subtraída pela soma das porcentagens das posições vendidas.

  • Juros e Moedas: buscam retorno no longo prazo através em ativos de renda fixa, admitindo estratégias que impliquem risco de juros, índices de preço e risco de moedas. Excluem-se estratégias que tenham exposição em renda variável.

  • Livre: esses fundos não possuem obrigatoriamente o compromisso de concentração em nenhuma estratégia específica.

  • Capital Protegido: buscam retornos em mercados de risco, sempre procurando proteger (parcial ou totalmente) o capital investido. De qualquer forma, significa montar posições táticas que geralmente “vão contra” a ideia principal, a estratégia estrutural. Por exemplo: se você acha que o preço da Petrobras vai subir, pode comprar a ação como forma de investimento. Entretanto, se você não quer estar muito exposto a essa posição, pode adicionalmente montar uma posição vendida no índice Ibovespa, pois é um ativo que tende a ter uma correlação com a PETR4 próxima a 1. Portanto, se o papel da petroleira, por algum motivo, acabar rendendo mal e cair, provavelmente o índice também vai cair, e como a posição montada no índice é vendida, acaba rendendo positivamente a você, protegendo você da queda da estatal.

  • Estratégia Específica: adotam estratégia de investimento que implica em riscos específicos, tais como commodities, futuros de índices, entre outros.
Investimento no Exterior

Por último, essa classificação de fundos busca investir 40% ou mais de seu patrimônio líquido em ativos negociados no exterior. Conforme regulamentado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) 555, são fundos que admitem alavancagem. Muito simples, não?

Atenção, investidor!

Bom, na hora de escolher os fundos de multimercados que devem compor sua carteira, preste bastante atenção nos pontos discutidos acima, certo? Você pode utilizar os recursos da plataforma do TradeMap para analisar de forma profunda a evolução da carteira do fundo, seus objetivos, riscos e rentabilidade histórica. Muito legal, hein?

Lembrando que os fundos multimercados são excelentes opções para diversificação, principalmente entre diferentes exposições de risco – bolsa, renda fixa prefixados, renda fixa pós fixados, câmbio e outros títulos.

Frisamos novamente que não existe certo ou errado na tomada de decisão de escolha dos fundos de investimento. Por isso, alertamos que você foque nas políticas, carteira e liquidez dos fundos, e veja quais estão de acordo com suas ideias e princípios de investimento.

No próximo artigo vamos falar sobre os fundos de renda fixa. Então fique de olho e seja um craque em fundo de investimento! Deixe seu comentário abaixo e até a próxima, marujo!

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