TradeLetter Semanal | 21 – 27 Junho 2026

Fonte: Shutterstock/oatawa

Radar Macro & Mercados

A semana foi marcada pela continuidade das tratativas entre EUA e Irã sobre os termos finais do acordo firmado após o cessar-fogo, ainda que tensões no Estreito de Ormuz tenham colocado o memorando à prova. Ataques iranianos a embarcações na região levaram a ONU a suspender a operação de retirada de navios, enquanto a AIEA confirmou que o acordo prevê o acesso de inspetores nucleares ao Irã. Nos Estados Unidos, o PIB do primeiro trimestre foi revisado para cima com alta de de 2,1%, o índice PCE avançou 0,4% em maio e o déficit da balança comercial de bens alcançou US$ 105,8 bilhões, acima do esperado. No Brasil, o IPCA-15 de junho desacelerou e ficou abaixo das projeções do mercado, enquanto a taxa de desocupação recuou para 5,6% no trimestre móvel encerrado em maio.


Fechamento semanal – em %



Irã ataca navio no Estreito de Ormuz e coloca acordo com os EUA sob pressão: A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã atacou um navio porta-contêineres de bandeira singapurense no Estreito de Ormuz, atingindo a ponte de comando da embarcação, sem registro de vítimas. O incidente ocorreu durante uma operação de retirada coordenada pela Organização Marítima Internacional (OMI), que havia evacuado 57 navios e cerca de 1.100 tripulantes da região desde o início da semana. Em resposta, a OMI suspendeu temporariamente a operação para reavaliar se as garantias de segurança permaneciam válidas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Irã de violar o cessar-fogo e afirmou que forças americanas abateram três drones iranianos lançados contra embarcações na região. 

Acordo entre EUA e Irã garante inspeções nucleares, confirma AIEA: O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, confirmou que o memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã prevê o acesso de inspetores nucleares da ONU ao território iraniano. A declaração contradiz a posição do vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, que havia afirmado que instalações estratégicas do programa nuclear permaneceriam inacessíveis até a conclusão de um acordo definitivo e a suspensão das sanções internacionais. Segundo Grossi, inspetores da agência já realizaram um primeiro contato com autoridades iranianas para tratar de questões técnicas e a expectativa é de que a missão seja iniciada em breve. 


 

PIB dos EUA no primeiro trimestre supera expectativas do mercado: A leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos apontou crescimento anualizado de 2,1% no primeiro trimestre de 2026, acima da expectativa de 1,6% e significativamente superior à expansão de 0,5% registrada no quarto trimestre de 2025. O desempenho foi impulsionado pelo avanço de 7,5% dos gastos do governo, além do crescimento das indústrias produtoras de bens privados e de segmentos como tecnologia da informação, serviços profissionais e manufatura de bens duráveis.

PCE de maio mantém pressão sobre o Fed: O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, avançou 0,4% em maio na comparação mensal, em linha com o consenso do mercado. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, registrou alta de 0,3% no período. Em 12 meses, o PCE acelerou para 4,1%, enquanto o núcleo atingiu 3,4%, ambos acima da meta de 2% perseguida pelo Fed. Já a renda pessoal e os gastos dos consumidores cresceram 0,7% no mês, sinalizando que o consumo segue resiliente, apesar do ambiente de juros elevados.

Déficit da balança comercial dos EUA dispara em maio: O déficit preliminar da balança comercial de bens dos Estados Unidos alcançou US$ 105,8 bilhões em maio, resultado significativamente pior do que a expectativa do mercado, de US$ 85,0 bilhões, e acima dos US$ 83,0 bilhões registrados em abril. O aumento do déficit refletiu a combinação de uma queda de US$ 11,8 bilhões nas exportações, que somaram US$ 207,7 bilhões, com um avanço de US$ 10,9 bilhões nas importações, totalizando US$ 313,4 bilhões. O resultado reforça a percepção de que o aumento das tarifas continua distorcendo o fluxo comercial norte-americano.

IPCA-15 desacelera em junho e fica abaixo das expectativas: O IPCA-15 avançou 0,41% em junho, desacelerando em relação à alta de 0,62% registrada em maio e ficando abaixo da expectativa do mercado, de 0,44%. A desaceleração foi puxada principalmente pelos grupos Alimentação e bebidas, cuja variação passou de 1,38% para 0,74%, e Habitação, que desacelerou de 1,03% para 0,72%. 

Desemprego recua e permanece em linha com as expectativas: A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,6% no trimestre móvel encerrado em maio de 2026, em linha com as expectativas do mercado e 0,6 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. A população ocupada atingiu 102,7 milhões de trabalhadores, impulsionada principalmente pelas contratações nos setores de administração pública e transportes. Já o rendimento real habitual médio alcançou R$ 3.726, alta de 4,0% em relação ao mesmo período de 2025.



Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana

Maiores Altas  

Maiores Baixas 



Análise dos Destaques da Semana

Melhor Desempenho: Assaí (ASAI3)

Preço de Fechamento (26/06/2026): R$ 8,83 | Variação Semanal: +15,42% – A valorização foi impulsionada pelo pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 0,1043 por ação, totalizando R$ 140 milhões. Tiveram direito ao provento os acionistas com posição na companhia ao fim do pregão de 6 de janeiro de 2026, enquanto, desde 7 de janeiro, as ações passaram a ser negociadas na condição de ex-direitos. O pagamento foi imputado ao dividendo mínimo obrigatório referente ao exercício de 2025 e integra a política de remuneração aos acionistas da companhia.

Pior Desempenho: Braskem (BRKM5)

Preço de Fechamento (26/06/2026): R$ 6,25 | Variação Semanal: -16,67% – Pela segunda semana consecutiva, a Braskem registrou o pior desempenho do Ibovespa. A queda refletiu o avanço do processo de reestruturação financeira da companhia. A empresa apresentou aos detentores de notas seniores e debêntures uma proposta de recuperação extrajudicial, mas as condições foram consideradas insatisfatórias pelos credores, impedindo um acordo. Diante do impasse, a petroquímica iniciou um processo de mediação na Câmara Wind de Mediação e protocolou um pedido de tutela de urgência cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo. As medidas envolvem exclusivamente os credores financeiros da companhia.



Nota:
As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.


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Destaques da semana

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