Ranking de Investimentos do primeiro trimestre de 2026

Fonte: Shutterstock/Andrii Yalanskyi

O primeiro trimestre de 2026 foi marcado por alta volatilidade e movimentos contrastantes nos mercados financeiros globais. Decisões de política monetária no Brasil e nos EUA, além da escalada das tensões no Oriente Médio, impactaram diretamente o comportamento dos ativos. O conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo, intensificando riscos inflacionários e afetando os mercados.

No cenário monetário, o Banco Central do Brasil iniciou a flexibilização da Selic para 14,75% ao ano. O Federal Reserve dos EUA, por sua vez, manteve os juros elevados devido à resiliência econômica e pressões inflacionárias, agravadas pelo petróleo. Este contexto gerou reprecificação de ativos globais e aumento da aversão ao risco.

Apesar do ambiente externo adverso, o mercado brasileiro se destacou, com a bolsa impulsionada por fluxo estrangeiro e expectativas de queda de juros. Em contraste, mercados internacionais e criptoativos tiveram desempenho mais fraco, refletindo incertezas globais, menor liquidez e maior seletividade dos investidores.

 

Maiores rendimentos

 

MSCI Brasil (+20,26%)

No trimestre, o MSCI Brasil se destacou ao acompanhar o desempenho das principais empresas brasileiras de grande e médio porte. Em meio ao aumento da aversão ao risco global e à maior volatilidade dos mercados, o país passou a atrair atenção por fundamentos relativamente mais favoráveis. Entre os fatores, estão a perspectiva de cortes na taxa de juros, a condição de exportador líquido de petróleo, que contribui para mitigar choques externos, e o retorno gradual do investidor local à B3. O ciclo de afrouxamento monetário segue como um dos principais vetores para o mercado brasileiro, enquanto a alta dos preços de energia tem levado investidores estrangeiros a ampliar a exposição aos setores de óleo e gás e de energia e saneamento.

 

IBRX-100 (+17,06%)

O IBRX-100 é um índice que acompanha o desempenho das 100 ações mais negociadas na B3. Assim como o Ibovespa, o IBRX-100 apresentou um desempenho notável. A performance positiva reflete o otimismo generalizado com o mercado de ações brasileiro, impulsionado pelos mesmos fatores que beneficiaram o Ibovespa, como o fluxo de capital externo e as perspectivas de queda de juros. O IBRX 100 apresentou alta no primeiro trimestre de 2026 refletindo a valorização mais disseminada das ações brasileiras, já que o índice reúne as 100 papéis mais negociados da B3, com maior diversificação em relação ao Ibovespa. O desempenho foi impulsionado pelo fluxo estrangeiro positivo e pela melhora na percepção de risco em mercados emergentes, favorecendo não apenas as blue chips, mas também empresas de médio porte.

 

Ibovespa (+16,89%)

O Ibovespa iniciou 2026 com desempenho robusto, impulsionado pelo ingresso de capital estrangeiro no mercado acionário brasileiro. O movimento reflete, em parte, a realocação global de recursos, com redução de exposição aos Estados Unidos diante das incertezas políticas associadas a Donald Trump, além do avanço das tensões geopolíticas.

A alta das commodities, especialmente metálicas, favoreceu empresas de grande peso no índice, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4), enquanto os grandes bancos também contribuíram para o desempenho. No trimestre, o Ibovespa registrou um rali e atingiu recordes, com fluxo estrangeiro positivo, refletindo tanto o cenário externo quanto fatores domésticos em um ambiente de maior volatilidade.

 

IDIV (+16,09%)

O IDIV (Índice Dividendos) reúne empresas que se destacam na remuneração dos acionistas. A Petrobras, com maior peso no índice, 7,16% para PETR3 e 7,27% para PETR4, registrou forte valorização acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional em meio às tensões no Oriente Médio. A Cemig (CMIG4), que representa 5,09% do índice, aprovou a distribuição de R$ 658 milhões em Juros sobre Capital Próprio, equivalentes a R$ 0,23 por ação, beneficiando acionistas ordinários e preferenciais.

 

Menores rentabilidades

 

Ethereum (-33,01%)

O Ethereum registrou a maior queda no período, em um ambiente marcado por aumento da aversão ao risco nos mercados globais e menor apetite por ativos mais voláteis. O movimento reflete a combinação de pressão vendedora, redução da liquidez global e enfraquecimento da atividade em segmentos relevantes do ecossistema, como DeFi e NFTs. Além disso, o desempenho relativo inferior ao Bitcoin evidencia a preferência dos investidores por ativos considerados mais consolidados dentro do mercado cripto. Em paralelo, incertezas regulatórias e o cenário macroeconômico, com juros elevados e inflação ainda sob monitoramento, contribuíram para intensificar a volatilidade ao longo do trimestre.

 

Bitcoin (-27,25%)

O Bitcoin acompanhou o movimento de queda das criptomoedas, em meio ao aumento das tensões geopolíticas e à deterioração do ambiente macroeconômico global. Conflitos no Oriente Médio, incertezas políticas e sinais de desaceleração econômica reforçaram a cautela dos investidores, reduzindo a exposição a ativos de risco. Além disso, o ativo segue altamente sensível à liquidez global, com desempenho pressionado em um contexto de juros elevados e menor disponibilidade de capital. Eventos específicos de mercado, como vencimentos de derivativos e ajustes de posicionamento, também ampliaram a volatilidade recente.

 

BDRX (-12,41%)

O BDRX é um índice que acompanha o desempenho médio dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts) não patrocinados negociados na B3, que representam ações de empresas estrangeiras. O BDRX registrou uma forte queda no primeiro trimestre de 2026, contrastando com o bom desempenho do mercado doméstico. A desvalorização refletiu uma correção de preços no mercado acionário global, especialmente nas ações americanas que compõem a maior parte do índice, e foi agravada pela valorização do real frente ao dólar, o que diminui o retorno em reais para os investidores brasileiros. O BDRX acumula queda no primeiro trimestre de 2026 em um contexto de descolamento entre o desempenho do mercado doméstico e o cenário internacional. Enquanto a bolsa brasileira registrou forte valorização no período, o índice de BDRs foi pressionado principalmente pelo ambiente externo mais adverso e pela dinâmica cambial. Em meio a guerra no Oriente Médio, o mercado doméstico tem tido boa valorização.

 

Nasdaq Composite (-8,60%)

O Nasdaq Composite, índice com forte peso em empresas de tecnologia, registrou queda no primeiro trimestre de 2026. O desempenho foi pressionado pelas tensões no Oriente Médio envolvendo o Irã, que elevaram a aversão ao risco no mercado global, e pela inflação mais resistente nos Estados Unidos, que manteve altas as taxas de juros e elevou o custo de capital, impactando empresas de crescimento. Além disso, investidores realocaram recursos para ativos mais seguros, como títulos de renda fixa, e aproveitaram para realizar lucros após anos de forte valorização das ações de tecnologia e inovação. Esses fatores aumentaram a volatilidade e levaram o índice a entrar em território de correção, refletindo uma desaceleração na valorização acumulada nos últimos anos.

 

O trimestre evidenciou a resiliência do mercado brasileiro diante de um cenário externo desafiador, enquanto ativos globais e criptoativos foram pressionados por incertezas geopolíticas e macroeconômicas, reforçando a seletividade dos investidores e a volatilidade nos mercados.


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