Como as ações da MRV (MRVE3) devem reagir após prévia operacional?

A MRV registrou menor volume de vendas líquidas e lançamentos e deve ver a alavancagem apertar no terceiro trimestre

Foto: Shutterstock/T. Schneider

A MRV (MRVE3) registrou um valor de R$ 1,8 bilhão em lançamentos no terceiro trimestre, 13,6% inferior em comparação com igual período de 2021 de acordo com prévia operacional divulgada na sexta-feira (14).

A empresa lançou 7.426 unidades pelo preço médio de R$ 243 mil por imóvel. Este valor representa um aumento de 6,9% no ticket médio dos lançamentos.

Segundo a empresa, o menor volume de lançamentos e maiores preços estão alinhados com a estratégia de busca da recomposição da margem bruta.

As vendas líquidas também foram menores no período. A empresa vendeu R$ 1,4 bilhão entre julho e setembro deste ano, queda de 27,3% em relação a mesmo período de 2021.

Por outro lado, os distratos perderam espaço e passaram a representar 3,6% das vendas líquidas, frente a 7,3% no mesmo período em 2021.

O que achamos?

O menor volume de lançamentos e vendas mostra que a empresa tirou o pé do acelerador por uma certa cautela quanto aos altos preços dos insumos e ao nível elevado da taxa de juros.

Este movimento pode ser entendido positivamente, já que a gestão não está fazendo nenhuma loucura para impulsionar as vendas e tentando utilizar a estratégia de retomada de rentabilidade.

Por outro lado, este menor volume resulta em menores receitas, e consequentemente um caixa mais fraco é esperado para o terceiro trimestre.

Isso pode trazer complicações quanto à capacidade da empresa em honrar dívidas, uma vez que a alavancagem registrada no segundo trimestre era de 3,08 vezes.

Este indicador mede a proporção da dívida em relação ao lucro operacional, e além de estar num nível que pode ser considerado alto deve aumentar neste trimestre, já que o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) tende a ser menor.

Apesar de o aumento nos preços suportar uma margem mais robusta, o menor volume de vendas deve continuar sendo um desafio para a geração de caixa da empresa.

Porém, a estabilização no preço das commodities e uma expectativa de reversão da curva de juros são pontos que favorecem a MRV a retomar a forte geração de caixa no futuro.

Além disso, possíveis melhoras em incentivos de projetos sociais, como no programa Casa Verde e Amarela, devem impulsionar os retornos da empresa no longo prazo. Isto porque o público-alvo da companhia é o de baixa renda.

Porém, de momento a situação ainda é desafiadora para MRV, que deve ter maior alavancagem e menor potencial de geração de caixa.

Como os papéis devem reagir?

A publicação de uma queda no volume de vendas deve ser vista com cautela pelos investidores. Portanto, os papéis devem abrir em queda no pregão desta segunda-feira (17).

Os papéis da MRV acumulam queda de 7% no ano.

*O Pré-Trade é publicado diariamente pela Agência TradeMap, sempre antes da abertura da Bolsa, e se propõe a indicar como investidores podem reagir no pregão em reação a alguma notícia ou fato novo que tenha relação com uma ação específica em sua carteira. O conteúdo se destina a fins informativos e não deve ser interpretado como nenhum tipo de recomendação de investimentos.

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