Desde a divulgação dos resultados do segundo trimestre, em 26 de julho, as ações da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da marca Vivo, acumulam desvalorização de 12%. Na visão de analistas do BTG Pactual, o principal fator por trás da pressão é a expectativa de dividendos menores neste ano e no próximo – e, para o banco, o quadro só deve mudar em 2024.
Isso porque, explicam Carlos Sequeira, Osni Carfi e Guilherme Guttilla, analistas do BTG, quase 100% dos lucros retidos pela Vivo desde o início do ano já foram distribuídos aos acionistas, de modo que os dividendos futuros irão depender dos resultados dos próximos trimestres – que devem seguir pressionados.
“A incorporação da Oi, junto com a inflação e os juros em disparada, derrubaram os lucros da Vivo no primeiro semestre de 2022, e os resultados devem continuar a sofrer no curto prazo”, escrevem os analistas, em relatório distribuído a clientes nesta quinta-feira (29).
Até agora, a Vivo já anunciou R$ 3,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) neste ano, e o BTG espera a distribuição de mais R$ 1,2 bilhão, chegando a um dividend yield (indicador utilizado para medir a rentabilidade dos dividendos de uma empresa em relação ao preço de suas ações) em torno de 6% a 7%.
Considerando os valores que a Vivo ainda precisa pagar, a expectativa do banco é que o somatório das dívidas da Vivo fique 10% acima do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ao fim de 2022, e que as despesas financeiras cresçam, pressionando os lucros de 2022 e 2023.
Diante disso, a expectativa do BTG é que a Vivo pague R$ 3,5 bilhões em dividendos e JCP em 2023, o que implica um dividend yield de 5,1%.
A partir de 2024, os lucros devem ser normalizados, devido principalmente a despesas financeiras e de depreciação e amortização menores e sinergias de Opex (despesas operacionais) da compra da Oi, permitindo maiores dividendos.
“No médio a longo prazo, os dividendos da Vivo deverão retornar para os altos níveis vistos nos últimos anos”, diz o banco. Entre 2018 e 2021, a Vivo pagou uma média de R$ 6,2 bilhões em dividendos e JCP por ano.
Uma possível estratégia, na análise do banco, seria uma redução de capital. “Preferimos não considerar isso em nosso modelo, mas não descartamos uma redução de capital aumentando a remuneração aos acionistas. Se isso acontecer, será provavelmente em 2023”, afirmam os analistas.
Os analistas reiteraram sua recomendação de compra para a ação, mas cortaram o preço-alvo de R$ 64 para R$ 50, devido principalmente às expectativas de um maior custo de capital. O novo preço-alvo corresponde a alta de 23% em relação ao valor do papel no fechamento da última quarta-feira (28), de R$ 40,75.
Por volta das 15h15 desta quinta, as ações eram negociadas em baixa de 1,15%, a R$ 40,28.
O BTG ressalta, porém, que uma série de eventos que podem aumentar o valor da companhia, como a participação da Vivo na FiberCo (projeto de rede neutra de fibra ótica), o não pagamento do imposto Fistel, a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e potenciais fusões e aquisições não são consideradas neste preço-alvo.