Varejo vende mais em julho, mas registra pior desempenho desde outubro de 2021, diz Cielo

As vendas no varejo cresceram pelo nono mês seguido em julho, mas desaceleraram pela quarta vez consecutiva e registraram o aumento mais lento desde o final do ano passado.
Segundo dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), as vendas no varejo cresceram 0,7% em julho na comparação com o mesmo período do ano passado, já descontado o efeito da inflação. Foi o pior resultado desde outubro de 2021, quando as vendas encolheram 0,8%.
Em junho, as vendas no varejo tinham aumentado 5,9% na comparação anual.
Em termos nominais, que espelham a receita das redes do varejo sem descontar a inflação, a pesquisa apontou alta de 15,3% nas vendas em julho. Em junho, a alta foi de 22,8%.
Segundo a Cielo, o resultado do varejo foi prejudicado pelo fato de julho deste ano contar com um domingo a mais. Neste dia da semana, as vendas costumam ser mais fracas. Além disso, o mês passado também teve uma quinta-feira a menos que julho de 2021, e este dia da semana tende a ter vendas mais aquecidas. Desconsiderando estes efeitos do calendário, o crescimento nas vendas do varejo teria sido de 2,1%.
Apesar do ritmo de recuperação, Diego Adorno, gerente de Produtos de Dados da Cielo (CIEL3), pontua que os efeitos negativos da pandemia de Covid-19, que prejudicaram as vendas no varejo do ano passado, estão gradualmente saindo da base de comparação.
Em julho, ele ressaltou, “os segmentos mais ligados ao período de férias, como turismo e transporte, deram importante contribuição para o crescimento do varejo”, afirma.
Inflação desacelera para 14%
A inflação do varejo ampliado apurada pela Cielo teve aumento de 14,45% em julho, abaixo do observado no mês anterior, mas além da alta de 10,07% acumulada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o indicador oficial da inflação doméstica divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O cálculo da Cielo é feito com base nos setores do IPCA com maior peso sobre o ICVA. A diminuição dos preços no grupo de Combustíveis e Energia foi a principal contribuição para a queda da taxa ante o mês anterior.
Sem a inflação e com os ajustes do calendário, os setores de serviços, com destaque para o bom desempenho de turismo e transportes, e de bens não duráveis, registraram alta nas vendas em julho na comparação com o mês de 2021.
Por outro lado, o setor de bens duráveis e semiduráveis registrou retração com o impacto da queda nas vendas de materiais de construção.
Todas as regiões apresentaram crescimento em relação a julho do ano passado, com liderança do Norte (7,5%), seguido por Nordeste (+2,1%), Centro-Oeste (+1,7%) e Sudeste (+0,9%).
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