Impulsionadas pela escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia, que são grandes produtores de aço e alumínio, as cotações das commodities metálicas subiram com força nesta quarta-feira (2). O movimento reflete a expectativa de que estes países vão reduzir a oferta dos dois produtos. Os preços do minério de ferro também dispararam, diante de apostas de que a China deve exportar mais aço – e consequentemente, consumir mais minério, um dos insumos usados pelas siderúrgicas.
Os preços do minério de ferro subiram com força no mercado futuro da Bolsa de Commodity de Dalian (cidade chinesa) – o contrato de referência chegou a subir 5,9%, a 764 iuanes a tonelada (o equivalente a cerca de R$ 623), o maior aumento desde fevereiro de 2015, segundo o site especializado Mining.com. No mercado de metais de Londres, o alumínio alcançou US$ 3.552 a tonelada (o equivalente a R$ 18,5 mil), um recorde histórico.
Por que a guerra mexe tanto com as cotações?
Os russos respondem por cerca de 10% do comércio global de aço, e os ucranianos por 4% do mercado, de acordo com estimativa de analistas da plataforma Huatai Futures.
De acordo com a Huatai, a interrupção de fornecimento dos dois países forçará alguns dos maiores compradores a buscar fontes alternativas, e “apenas a China atualmente pode preencher este grande vazio no mercado”.
A Rússia também é o terceiro maior produtor mundial de alumínio, metal leve utilizado em uma grande variedade de produtos.
“Enquanto a economia russa depende pesadamente de energia, o país também é um produtor de minerais, incluindo alumínio. Dessa forma, qualquer restrição pode ter um impacto significativo nos mercados globais de metais”, alertou o Bank of America em relatório divulgado na segunda (28).
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O petróleo também opera em forte alta nesta quarta, chegando a perto de US$ 114 o barril depois de a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) seguir o roteiro esperado e anunciar que elevará a produção da commodity em 400 mil barris por dia em abril.
Efeito direto na Bolsa
O avanço nos preços do minério de ferro e do aço ajudavam a impulsionar o mercado de ações no Brasil, com destaque para o avanço nos preços da Vale (VALE3 +6,1%), uma das maiores produtoras e exportadoras de minério de ferro do mundo, e da siderúrgica Gerdau (GGBR4 +4,24%). A CSN (CSNA3 +5,70%) também apresentava forte alta, seguida pela Usiminas (USIM5 +2,38%).