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TIM (TIMS3): Redução de caixa e aumento da dívida podem complicar no curto prazo; veja análise

TIM (TIMS3): Redução de caixa e aumento da dívida podem complicar no curto prazo; veja análise

Redução de caixa da empresa mostrou fragilidade quanto à solvência das dívidas futuras, uma vez que 30% têm vencimento em 2023

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Foto: Shutterstock

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Embora a TIM Brasil (TIMS3) seja a maior beneficiada pelo processo de compra dos ativos móveis da Oi (OIBR3), a empresa terá que lidar com maiores despesas até que as sinergias passem a gerar maiores receitas e os custos possam ser diluídos.

No entanto, a aquisição dos ativos móveis da Oi já trouxe alguns benefícios para a TIM no segundo trimestre do ano, como um aumento da receita em 21,8%, para R$ 5,37 bilhões, e uma alta de 33% na base móvel de clientes em comparação com igual intervalo de 2021.

Por outro lado, como já se previa, os custos operacionais e as despesas financeiras cresceram em ritmo maior, o que levou a empresa a apresentar uma queda de 58,4% no lucro líquido na comparação anual, para R$ 280 milhões.

No período, os custos operacionais da empresa cresceram 26,4% na base anual, para R$ 2,93 bilhões. Porém, o maior “vilão” no segundo trimestre foram as despesas financeiras que dobraram ante o mesmo período de 2021, para R$ 785 milhões, diante do cenário econômico desafiador e da aquisição dos ativos da Oi.

Outro ponto que chama a atenção no trimestre, de forma negativa, é que a operadora de telefonia captou mais de R$ 1 bilhão em dívida, totalizando um endividamento de R$ 18,1 bilhões, avanço de 31% na comparação com o trimestre imediatamente anterior e de 47,39% na base anual.

Aliado ao maior volume de dívida, o aumento dos juros e da inflação só intensificaram os danos. O custo com juros avançou para 13,3% a.a (ao ano) ante aos 4,3% a.a. visto um ano antes.

Além disso, cerca de 10,5% da dívida total, ou R$ 1,9 bilhão, tem o vencimento no curto prazo, enquanto R$ 4,7 bilhões, ou 26%, têm o vencimento em 2023. Com isso, a necessidade de capital de giro da empresa cresce, já que será necessário maior desembolso de capital.

Se, por um lado, a dívida aumentou, por outro, o caixa não acompanhou esse aumento do endividamento, o que passa a ser uma preocupação no curto prazo. No trimestre, a empresa tinha um caixa de R$ 2,3 bilhões, suportado pela captação de R$ 1 bilhão, montante este que seria suficiente apenas para arcar com as dívidas de curto prazo.

No segundo trimestre, a TIM desembolsou R$ 6,4 bilhões para compra de ativos da Oi e R$ 1,2 bilhão no leilão 5G, o que levou a uma redução de R$ 5,8 bilhões no caixa.

Essa redução de caixa mostra certa fragilidade da empresa quanto a solvência das dívidas futuras, uma vez que a dívida vem crescendo em proporção maior que a geração de caixa e o vencimento dessa dívida está concentrado nos próximos 2 anos.

Se o caixa diminuiu no trimestre, o mesmo não se pode dizer da geração de caixa, que felizmente aumentou. No período, o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) reportado, que é a melhor aproximação de geração de caixa, cresceu 16,7% na base anual, para R$ 2,4 bilhões.

O crescimento do Ebitda, que até o quarto trimestre de 2021 era crescente, contudo, reverteu a tendência no segundo trimestre e passou a diminuir desde então, de acordo com o gráfico apresentado na plataforma TradeMap.

Fonte: TradeMap

Segundo a operadora, a queda é motivada pelo aumento dos custos de produção pela alta da inflação e pelos maiores custos relacionados à aquisição dos ativos móveis da Oi, além de maiores despesas com aluguel da ISystems.

Por consequência, houve uma redução na rentabilidade já que o custo cresceu em maior proporção que as receitas. Com isso, a margem Ebitda registrou uma queda de 2 p.p (pontos percentuais) no período, para 45,4%.

Fonte: TradeMap

Por fim, a alavancagem, medida pela relação dívida líquida por Ebitda reportado encerrou o segundo trimestre em 1,7 vezes ante 0,6 vez um ano antes, motivada pelo aumento das despesas financeiras e redução de caixa.

Este resultado, entretanto, não preocupa no momento, já que a alavancagem média dos últimos três anos era negativa em 0,2 vez, de acordo com dados apresentados na plataforma do TradeMap.

Mesmo a TIM Brasil sendo uma forte geradora de caixa, o segundo trimestre foi fortemente impactado pela compra dos ativos da Oi, reflexo esse que não deve se repetir nos próximos trimestres, o que deve ajudar na geração de caixa.

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