Stock option: Como funciona esse incentivo e como ele pode afetar a cotação das ações

Programa funciona como uma remuneração variável para funcionários considerados estratégicos

Foto: Shutterstock

A remuneração de um funcionário, ainda mais de alto escalão, vai muito além do salário mensal. Uma das formas de recompensar altos executivos é oferecer a eles a opção de comprarem ações da empresa. A prática tem o nome de “stock option“.

Nesses programas, a ideia é fidelizar o funcionário e também incentivá-lo. Afinal, se o resultado da empresa melhorar, a ação irá se valorizar – e o funcionário que tiver feito a adesão poderá embolsar essa apfreciação quando e caso queira vender esses papéis.

Em geral, o profissional só pode exercer o direito de vender as ações após determinado período. É uma forma de a companhia reter um talento que seja considerado relevante para o negócio.

Empresas que não têm ações negociadas em Bolsa também podem ter esse tipo de programa, como startups.

Cada companhia vai determinar as regras em relação aos funcionários que terão acesso a esse programa, o valor da ação no momento da opção (em geral, um pouco abaixo dos valores de mercado) e os prazos.

Transparência de informações

No caso de companhias abertas, no entanto, é importante que essas regras sejam claras, já que esse programa, se executado de forma equivocada, pode atingir os acionistas minoritários.

Um exemplo recente é o da Infracommerce (IFCM3), cuja ação acumulou baixa de 20,8% em uma semana em resposta à divulgação de um novo plano de remuneração e opções aos colaboradores.

Leia mais:
Infracommerce (IFCM3) vira a chave em aquisições e agora parte para empresas de tecnologia

O programa da empresa que presta serviços de comércio eletrônico a varejistas teve início antes do processo de IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês), quando a empresa pretendia emitir até 37.576.261 ações para honrar o stock option. Desse total, uma fatia de 44% já foi efetuada (16,7%). Os administradores ainda têm 20,9 milhões para emitir.

A reação negativa dos investidores se deve a dois pontos. O primeiro é que o valor da opção foi muito inferior ao das ações. Variou de R$ 0,43 a R$ 1,44, enquanto a ação saiu a R$ 16 no IPO (em maio de 2021) e, em 14 de abril, estava cotada em R$ 8,82.

O segundo ponto é que um novo programa foi anunciado, dessa vez de 15,7 milhões.

Como a empresa terá que fazer a emissão dessas ações, o que irá ocorrer é uma diluição da participação dos demais acionistas.

“Quando uma empresa tem um programa de stock option, o risco para o pequeno investidor é que ocorra um exercício a mais do esperado e que assim ocorra uma diluição. Vai ser uma base maior para a distribuição do mesmo lucro”, explica Ricardo Almeida, professor de finanças do Insper.

Para que esse tipo de risco não aconteça, o ideal é que as companhias tenham um comitê de remuneração, que coloque limites mais claros para o exercício do programa, evitando distorções no futuro e mostrando a prática de uma melhor governança.

As companhias devem informar em seu formulário de referência se possuem ou não programas de stock option, mas não são obrigadas a detalhá-los ou informar se há ou não um comitê de remuneração. O formulário de referência é um documento eletrônico pelo qual as companhias abertas devem fornecer informações padronizadas.

Compartilhe:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.