Rumo (RAIL3) tem preço-alvo cortado por Goldman Sachs, mas banco segue otimista – entenda

Empresa deve se beneficiar pela safra positiva no primeiro semestre deste ano, mas há riscos no horizonte

Foto: Shutterstock/T. Schneider

Apesar de reduzir o preço-alvo para a Rumo (RAIL3), o Goldman Sachs se mostra otimista com o desempenho da companhia, sobretudo ao longo do primeiro semestre deste ano, segundo relatório divulgado na quarta-feira (22).

O banco cortou a estimativa de valor potencial dos papéis de R$ 24 para R$ 22 ao fim de 12 meses, um potencial de valorização de 22,2% ante o preço de fechamento na véspera (R$ 18).

Os analistas Bruno Amorim, João Frizo e Guilherme Costa Martins ressaltam que a Rumo deve ser beneficiada pela pressão nos preços dos fretes rodoviários, que competem com a empresa no setor de logística, principalmente pela expectativa positiva para a safra de soja em 2023.

O banco projeta que o preço do diesel recue até 5% entre este ano e 2024, o que tenderia a baixar o preço dos fretes rodoviários. Porém, os analistas ressaltam que a alta demanda do agro deva segurar o preço do transporte em um patamar elevado.

“Assim, dadas as atuais expectativas de um ano-safra saudável no Brasil, a demanda por logística deve permanecer elevada, apontando para um ambiente de preço de frete positivo para os caminhoneiros e para a Rumo no futuro previsível”, escreveram.

Incorporação dos dados do último trimestre de 2022

Os analistas também mudaram as projeções para o desempenho da Rumo após a divulgação dos dados do quarto trimestre do ano passado, período que a empresa anotou um lucro líquido de R$ 243 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 384 milhões apresentado no mesmo trimestre em 2021.

Apesar dos dados positivos, o banco ressaltou que a empresa corre o risco de a safra acabar superando as expectativas, levando a maior concorrência para o transporte de cargas.

Além disso, a Rumo também pode ser prejudicada pelos projetos de investimento do governo federal em rodovias, o que tende a deixar o transporte de caminhões mais atrativo em despeito à logística sobre trilhos.

Diante destes desafios, o Goldman Sachs revisou a expectativa de receita para 2023 e 2024 para queda de 5% e 2%, respectivamente.

Já o Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) foi revisto para recuo de 3% neste ano, e 1% em 2024.

O banco ainda citou que a expectativa do Capex, os investimentos em bens de capital, da companhia para este ano, na faixa de R$ 3,6 bilhões e R$ 4 bilhões, ficaram abaixo do esperado.

Porém, o valor pode ser compensado no ano que vem, com a expectativa de R$ 5 bilhões de investimento, sobretudo com os preços de aceleração do projeto ferroviário de Lucas do Rio Verde (LDRV), feito pela Rumo em Mato Grosso.

“Acreditamos que os investidores monitorarão nos próximos trimestres/anos o nível de confiabilidade da rede à luz do menor Capex, a fim de definir a referência para as necessidades do Capex de longo prazo”, informaram.

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