O Itaú BBA está preocupado com a rentabilidade do crédito dos bancos em 2023. Em um relatório desta sexta-feira (2), analistas afirmaram acreditar que tanto a margem líquida dos bancos obtidas com juros (NIM), quanto a registrada com clientes (NII) devem estar pressionadas no ano que vem. O cenário deve-se à alta na curva de juros causada após as eleições e um mix de captação pior no setor.
“O cenário cria um desafio para aumentar ainda mais as taxas sem prejudicar a demanda, pressionando ainda mais a inadimplência. Estimamos que as safras de crédito mais recentes ocorrerão com spreads mais baixos do que antes, provavelmente impactando o NII”, escrevem os analistas liderados por Pedro Leduc, do Itaú BBA.
Segundo o BBA, dois fatores atuam para esse quadro. O primeiro é o avanço do CDI, a taxa de empréstimo interbancário para 1 (um) ano. “Essa taxa vem subindo rapidamente, pressionando os bancos a aumentar as de novos empréstimos. O problema é que as tarifas já estão em níveis elevados e a economia está desacelerando”, dizem.
Somado a isso, os analistas acreditam que o mix de captação vem piorando nos bancões, com menos depósitos à vista ou em poupança. Eles acreditam que a alta taxa de juros incentiva uma migração para depósitos a prazo, e outros instrumentos mais próximos de 100% do CDI.
Por conta dessa incerteza, o banco de investimentos do Itaú tem uma visão cautelosa para o setor, e prefere apostar em nomes como o Banco do Brasil (BBAS3) e o Banco ABC (ABCB4).
De acordo com o relatório, o Banco do Brasil é a instituição onde os múltiplos teriam uma vantagem maior se a incerteza política acerca do novo governo desaparecer. “Ao mesmo tempo, o BB oferece aos investidores um maior conforto na relação entre ganhos e rendimento de dividendos ao longo do tempo”, afirmam os analistas.
Já o Banco ABC é o preferido do BBA no segmento de menor capitalização por apresentar “ganhos resilientes”.