Ranking de investimentos de agosto de 2025

Fonte: Shutterstock/Sittipong Phokawattana

Agosto de 2025 foi marcado por indicadores econômicos relevantes no Brasil e no exterior, que influenciaram o comportamento dos investimentos e o desempenho dos ativos financeiros. 

Na primeira semana, o foco ficou nas balanças comerciais. Nos Estados Unidos, o déficit caiu de US$ 71,7 para US$ 60,2 bilhões, resultado abaixo das expectativas e bem inferior ao saldo revisado de junho. No Brasil, o superávit comercial alcançou US$ 7,1 bilhões, superando projeções, embora tenha ficado 6,3% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. O resultado reforça a percepção de resiliência da economia brasileira e sua competitividade internacional, fortalecendo a confiança dos investidores e estimulando aportes em ações e outros ativos de risco. 

A segunda semana trouxe dados de inflação, com o IPCA avançando 0,26% em julho, abaixo das expectativas do mercado. Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor (CPI) subiu 0,2%, conforme previsto. A prévia do PIB, medida pelo IBC-Br na terceira semana, surpreendeu negativamente ao recuar 0,10% em junho, indicando uma desaceleração moderada da atividade econômica. 

No fechamento de agosto, o IPCA-15 registrou deflação de 0,14%, após a alta observada em julho, marcando a primeira variação negativa desde 2023. Apesar disso, a inflação acumulada em 12 meses segue acima da meta de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A deflação mensal, contudo, representa um alívio temporário e pode fortalecer as apostas de cortes de juros adiante, favorecendo especialmente os ativos de maior risco. 
 
Diante do cenário econômico de agosto, o mês também trouxe movimentos expressivos no mercado financeiro, refletidos no ranking de investimentos. 


Melhores rentabilidades: 

1. Ethereum (+11,55%) 

Agosto foi histórico para o Ethereum, que acumulou alta de 11,55% e superou os US$ 4.000 pela primeira vez desde dezembro de 2021. A valorização foi impulsionada pelo aumento do volume de negociações observado em julho e pelo decreto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, permitindo que fundos de pensão invistam em criptoativos. 

O movimento ganhou ainda mais força após o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em 22 de agosto, quando reforçou a expectativa de corte de juros em setembro. Com a perspectiva de maior liquidez no mercado, o Ethereum alcançou no dia 24 sua máxima histórica, aproximando-se da marca dos US$ 5.000. 

2. MSCI Brasil (+8,59%) 

O MSCI Brasil avançou 8,59% em agosto, refletindo o desempenho de 44 companhias de grande e média capitalização no país, com destaque para a Nu Holdings (ROXO34), que manteve maior peso (10,8%). No rebalanceamento realizado em 7 de agosto, a Porto Seguro (PSSA3) retornou ao índice após sair em 2015, enquanto a Natura (NATU3) foi excluída. Com isso, a participação brasileira no MSCI Emerging Markets avançou de 4,16% para 4,19%. 

Reconhecido como um dos principais referenciais para investidores estrangeiros, o índice sinaliza quais ações brasileiras ganham maior visibilidade internacional. De acordo com a XP Investimentos, a mudança deve gerar fluxos positivos para a Nu Holdings (ROXO34), enquanto Natura (NATU3) pode registrar uma saída relevantes do índice. 

3. SSE Composite (+7,97%) 

O SSE Composite, principal índice da Bolsa de Xangai, encerrou agosto em alta de 7,97%. No dia 22, o indicador ultrapassou os 3.800 pontos, registrando a maior marca da década e reforçando a tendência de valorização do mercado acionário chinês. 

Paralelamente, a capitalização de mercado das ações A da China, papéis de empresas locais negociados nas bolsas de Xangai (SSE) e Shenzhen (SZSE), superou pela primeira vez a marca de 100 trilhões de yuans (cerca de US$ 13,9 trilhões). O avanço foi sustentado pela combinação de resultados corporativos mais sólidos, medidas de estímulo governamentais e aumento da confiança dos investidores. 

4. B3 BR+ (+6,59%) 

O índice B3 BR+ mede o desempenho médio dos ativos com maior liquidez e representatividade na bolsa brasileira, sendo um dos principais termômetros do mercado acionário nacional. Em agosto, o indicador avançou 6,59%, impulsionado pelos resultados de empresas de peso em sua carteira. 

O Nubank (ROXO34), que responde por 11,5% do índice, registrou lucro líquido de US$ 637 milhões no segundo trimestre, alta de 42% frente ao mesmo período do ano anterior. Além disso, o Santander revisou sua avaliação para a instituição, elevando o preço-alvo das ações de US$ 9 para US$ 16 e ajustando a recomendação de venda para neutra, reforçando a percepção positiva do mercado. 

Já o Itaú (ITUB4), com participação de 7,6% no índice, também apresentou desempenho sólido, reportando lucro líquido recorrente gerencial de R$ 11,5 bilhões, crescimento de 14,3% em relação a 2024. 

5. Ibovespa (+6,33%) 

O Ibovespa encerrou agosto de 2025 em alta, sustentado por bons resultados corporativos do 2T25, pelo superávit comercial e pela deflação mensal no Brasil, fatores que reforçaram a confiança dos investidores e estimularam o investimento em ações. No cenário global, a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve e os resultados positivos das empresas aumentaram o apetite por risco, influenciando positivamente os mercados locais. 

Piores rentabilidades 

1. Bitcoin (-11,11%) 

O Bitcoin, principal criptomoeda do mundo, acumulou queda de 11,11% em agosto. Entre os fatores que pressionaram o ativo estão a decisão do Tesouro dos EUA de não realizar novas compras de bitcoins para sua reserva estratégica. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou à Fox Business que o governo não pretende adquirir novas unidades, além disso,  

No Brasil, a Câmara dos Deputados debateu em 20 de agosto a criação da Reserva Estratégica Soberana de Bitcoins (RESBit), mas o governo federal e o Banco Central descartaram a iniciativa. 

Mesmo após o discurso otimista de Jerome Powell no simpósio de Jackson Hole, em que sinalizou a possibilidade de corte de juros em setembro, o Bitcoin manteve alta volatilidade. A realização de lucros e a pressão vendedora pós-simpósio dificultaram a recuperação do ativo. Na última semana do mês, as quedas se intensificaram após uma grande baleia de BTC liquidar parte de suas reservas para migrar para Ethereum. 

2. Dólar Ptax (-3,16%) 

O Ptax, média ponderada das taxas de câmbio praticadas pelos bancos, recuou 3,16% em agosto, refletindo a valorização do real em meio ao cenário de juros elevados, em 15%, que mantém o país atrativo para operações financeiras e contribui para o equilíbrio do fluxo cambial. 

De acordo com dados da B3, o mês registrou saída líquida de R$ 19 milhões em capital estrangeiro, em movimento de cautela diante do ambiente global. No acumulado de 2025, porém, o saldo permanece positivo em R$ 20,6 bilhões. 

As tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com tarifas de 50% impostas por Washington, somadas às incertezas fiscais domésticas, continuam a limitar a entrada de recursos, deixando a trajetória do câmbio dependente da evolução dessas disputas e da condução da política fiscal interna. 

3. BDRX (-1,36%) 

O BDRX registrou queda de 1,36% em agosto. O índice, que acompanha o desempenho médio dos BDRs Não Patrocinados negociados na B3, foi impactado por resultados abaixo do esperado de empresas relevantes em sua composição. Um dos principais fatores foi a Nvidia (NVDC34), que decepcionou o mercado ao projetar receita menor que a estimada para o próximo trimestre e reportar resultados de Data Centers aquém das expectativas no segundo trimestre fiscal de 2026. 

4. Euro (-1,25%) 

O euro registrou queda de 1,25% em agosto, em meio à crescente insatisfação dos investidores com os acordos tarifários entre União Europeia e Estados Unidos. No fim de julho, líderes franceses defenderam que o bloco deveria retaliar as medidas do governo Trump, sendo a França o país mais enfático na oposição. 

Além disso, dados da Sentix mostraram forte deterioração na confiança dos investidores europeus após o acerto comercial entre Washington e Bruxelas. O índice caiu de 4,5 pontos para -3,7 pontos, refletindo as preocupações com os impactos econômicos da guerra tarifária. 

No fechamento de agosto, os mercados refletiram o equilíbrio entre oportunidades e riscos no cenário econômico global e doméstico. Entre os destaques positivos, Ethereum, MSCI Brasil, SSE Composite, B3 BR+ e Ibovespa registraram ganhos expressivos, impulsionados por resultados corporativos sólidos, medidas de estímulo e expectativas de cortes de juros. Por outro lado, Bitcoin, dólar Ptax, euro e BDRX sofreram perdas, pressionados por decisões estratégicas de governos, tensões comerciais e resultados corporativos abaixo do esperado. Esse contraste evidencia como fatores econômicos, políticos e corporativos influenciam diretamente a formação de portfólios e a percepção de risco pelos investidores ao longo do mês. 


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