A produção de carros em agosto bateu recorde no ano com a melhora do fluxo de entrega de semicondutores ao país. Apesar do bom desempenho, o aumento da inadimplência dos consumidores e o endurecimento das condições de crédito pela alta dos juros ainda geram entraves ao setor.
Esta foi a avaliação do presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Autoveículos), Márcio de Lima Leite, durante apresentação na manhã desta sexta-feira (9) dos números da entidade no mês passado.
A inadimplência do mercado está ao redor de 7%, quase o dobro da média histórica, de 4%. Segundo o presidente, o comportamento reflete a escalada da Selic pelo Banco Central, atualmente em 13,75% – com possibilidade de um ajuste final no fim deste mês. Neste nível, a taxa básica de juros deixa as taxas de financiamento de automóveis perto de 30% ao ano.
“São fatores que contribuíram muito com a inadimplência e que precisam ser enfrentados com serenidade e um olhar mais atento nos próximos meses”, afirmou.
As montadoras entregaram em agosto 238 mil veículos, alta de 8,7% sobre julho e o melhor mês desde novembro de 2020. Também foi a primeira vez neste ano que o acumulado mensal se sobressai sobre o mesmo período do ano passado, com alta de 4,7%.
O resultado positivo foi impulsionado pelo aumento da entrega de semicondutores ao mercado brasileiro no período marcado pelas férias no continente europeu. Também jogou a favor do mercado automobilístico o arrefecimento na fabricação de outros produtos que demandam os componentes eletrônicos, como os smartphones.
Moraes também chamou a atenção que agosto foi o primeiro mês desde fevereiro de 2021 em que não houve nenhuma paralisação completa nas unidades de fabricação de carros e caminhões no país. Apesar dos dados positivos, o presidente da Anfavea afirma que o clima ainda é de “otimismo moderado”.
“De forma alguma estamos com a situação regularizada, mas há uma tendência de normalização na questão dos abastecimentos”, disse.
Uma comitiva da Anfavea vai ao Japão neste sábado (10) para uma série de negociações para atrair produtores de semicondutores ao país. Segundo Moraes, as propostas contam inclusive com a ocupação de uma fábrica já construída em Minas Gerais, mas que nunca foi colocada em operação.
Vendas superam 200 mil unidades
Em agosto, as montadoras de veículos venderam 208,6 mil unidades, o melhor resultado desde janeiro de 2021. Também foi a primeira vez que as vendas superaram 200 mil unidades neste ano.
Em comparação com agosto do ano passado, a comercialização saltou 20,7%. A média diária de vendas foi de 9,1 mil unidades, a mais expressiva desde dezembro do ano passado.
A Anfavea manteve a projeção de vender 2,1 milhões de unidades em 2022. Para Moraes, a meta se mantém “factível”. “Depende muito da questão de produção e de como vai caminhar o mercado”, reitera.
Exportações superam pré-pandemia
As exportações em agosto totalizaram 46,8 mil unidades, alta de 11,7% na comparação com o mês anterior, período que foi bastante afetado pela crise na Argentina, o principal destino internacional dos veículos produzidos no Brasil.
O resultado fez o acumulado do ano alcançar 335 mil unidades, crescimento de 32,2% em relação a janeiro a agosto do ano passado e patamar maior do que o observado no período pré-pandemia, em 2019.