Diante das incertezas com a economia brasileira e a taxa de juros, o Bank of America (BofA) adotou uma estratégia defensiva e mais seletiva com as ações financeiras e não bancárias, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (11), com foco em seguradoras, maquininhas de cartão e gestoras.
Para os analistas Mario Pierry e Antonio Ruette, várias empresas não bancárias estão negociando perto de mínimas históricas, mas o desempenho superior dependerá do impulso dos ganhos e das taxas de pico.
De acordo com o BofA, o cenário deve se manter até que haja uma reversão no apetite dos investidores por este segmento, que deve ocorrer apenas quando ficar claro que o BC (Banco Central) não vai mais subir com os juros.
Seguradoras
Entre as seguradoras, os analistas preferem e recomendam a compra dos papéis da BB Seguridade (BBSE3) pela exposição ao agronegócio e pelos títulos de taxa flutuantes.
Já as ações da Caixa Seguridade (CXSE3) e da Porto (PSSA3) possuem recomendação neutra, apesar de os analistas do banco americano enxergarem potenciais nas empresas.
No caso do banco público, o BofA destaca o bom volume de receita e corretagem, enquanto a Porto está pronta para entregar um “forte crescimento de ganhos” neste ano, porém, esta recuperação já está refletida nos papéis da empresa.
Maquininhas de cartão
O BofA segue cauteloso com o setor de maquinhas de cartão diante da expectativa de os juros permanecerem altos por mais tempo, uma vez que, com isso, existe pouca margem para a valorização das empresas e a desaceleração do volume.
A Cielo (CIEL3) é a empresa destacada pelos analistas por estar com o preço das ações descontadas e pelo potencial de crescimento de ganhos. A PagSeguro (PAGS34) também foi citada com recomendação de compra, apesar da expectativa de crescimento limitado.
Já a Stone (STOC31) tem recomendação neutra diante dos “muitos desafios de execução e as ações são negociadas com um prêmio significativo em relação aos pares”.
B3 x XP
Entre as aquelas consideradas gestoras, o banco tem recomendação de compra para B3 (B3SA3) e se mantém neutro com a XP (XPBR31).
Segundo os analistas, a responsável pela Bolsa brasileira depende menos das negociações do varejo e tem mais de 20% das receitas oriundas de negócios não relacionados ao mercado. “Além disso, sua avaliação de desconto para pares internacionais permanece acima da média histórica”.
Para a XP, o BofA enxerga um caminho mais tortuoso pela limitação no crescimento dos lucros devido à alta taxa de juros, que “pode levar a revisões para baixo das estimativas de lucros, enquanto o excesso de ações de Itaú e Itaúsa deve continuar limitando o desempenho das ações”.