Petz (PETZ3) perde margens e ação cai 8%, mas caminho de crescimento anima analistas

Companhia está bem posicionada para crescer em um mercado fragmentado, afirmam analistas

Foto: Shutterstock

A varejista de produtos para animais de estimção Petz (PETZ3) registou crescimento anual no lucro líquido, mas teve sua rentabilidade pressionada por despesas relacionadas a seu plano de expansão e à inflação. Em resposta, as ações tinham forte queda no pregão desta quinta-feira (11) – mas os analistas seguem animados com o papel.

Por volta das 14h, a ação da Petz tinha a segunda maior queda do Ibovespa negociada em baixa de 8,41%, a R$ 10,35.

A margem Ebitda ajustada da Petz teve queda de 1,8 ponto percentual na comparação com o segundo trimestre de 2021, para 8,2%, devido a um aumento nas despesas de vendas, gerais e administrativas, ao fato de muitas das lojas ainda estarem em processo de maturação, a custos de expansão e ao Ebitda negativo da Zee.Dog, companhia adquirida no ano passado.

A margem bruta, no entanto, foi capaz de superar o cenário inflacionário, a maior penetração de vendas digitais e o aumento da participação de itens alimentares no mix de vendas, e crescer 0,2 ponto percentual, para 40,9%, sustentada pela integração com a Zee.Dog e pelo repasse da inflação para os preços finais.

O lucro líquido ajustado ficou de R$ 32,8 milhões, crescimento anual de 35,7%. A alta no resultado foi causada principalmente pela melhora nos resultados financeiros.

Nesse contexto, apesar de o mercado parecer ter focado no lado negativo do balanço, penalizando as ações no pregão de hoje, analistas seguem confiantes, destacando os pontos positivos dos resultados da companhia.

Potencial

Em primeiro lugar, a visão dos analistas é que a pressão de margens pode diminuir no segundo semestre, com a companhia tendo afirmado ver sinais de desaceleração na inflação.

“Enquanto a gestão observou uma redução na demanda de itens discricionários que impactou negativamente as vendas, o nível de trade down [busca por itens mais baratos] em produtos alimentares ficou baixo nesse trimestre, mostrando a resiliência deste segmento”, afirmaram Irma Sgarz, Felipe Rached e Gustavo Fratini, analistas do Goldman Sachs, em relatório desta quinta-feira.

Outro ponto sinalizado pela Petz, destaca o BTG Pactual, também em relatório de hoje, é a perspectiva de margens melhores para a Zee.Dog daqui para frente. No último trimestre, a unidade foi afetada por interrupções na cadeia de suprimentos, gerando atraso nas entregas de estoque. Além disso, a Petz afirmou que o Zee.Now, aplicativo de entrega expressa, deixou de gerar perdas.

Além disso, apesar da queda nas margens, outros números reportados pela companhia tiveram crescimento. A receita líquida subiu 34% na comparação anual, para R$ 801 milhões, refletindo o crescimento de 8,9% nas vendas em lojas que já estavam abertas no ano passado, a integração da Zee.Dog, com R$ 56 milhões em receita bruta, e a abertura de novas lojas.

No total, 44 lojas foram abertas nos últimos 12 meses, sendo nove destas aberturas no segundo trimestre. Com isso, a Petz encerrou o trimestre com participação de mercado de 7,5%.

“Com forte crescimento de receita no segundo trimestre, a Petz continua a mostrar resiliência mesmo em meio a um cenário mais desafiador”, afirmam Luiz Guanais, Gabriel Disselli, Victor Rogatis, analistas do BTG.

Outro destaque dos resultados foi o crescimento de 41,5% do canal digital, que passou a representar 32,4% das vendas.

Unanimidade

Depois dos resultados, os analistas Thiago Macruz, Mariz Clara Infantozzi e Gabriela Moraes, do BBA, reiteraram sua classificação de outperform para a ação – isto é, esperam uma performance superior à média do mercado.

O BTG, o BofA, o Goldman, a Genial Investimentos, a XP Investimentos, a Eleven Financial e a Ativa Investimentos também reforçaram sua recomendação de compra.

“Apesar de as margens ainda estarem sob pressão, tendência que esperamos que persista pelo menos até o fim de 2022, a Petz continua a ostentar execução de primeira linha, crescendo acima do mercado ao mesmo tempo em que acrescenta aquisições recentes (como Zee.Dog e Petix) a sua plataforma omni”, escrevem os analistas do BTG.

O banco destaca ainda a exposição a um mercado fragmentado e em forte crescimento, a estrutura de one stop shop (ampla oferta de produtos, conveniência e serviços), a plataforma omnicanal e a expansão nacional da Petz como pontos que sustentam sua visão positiva.

O Bank of America, por sua vez, espera que mais efeitos da integração com a Zee.Dog, a inovação em produtos de marca própria e a divisão de clínicas e hospitais veterinários Seres criem novas avenidas de crescimento para a companhia daqui para frente.

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