A mudança de governo em 2023 deve resultar em trocas no comando da Petrobras (PETR4; PETR3) e pode afetar a forma como a empresa distribui dividendos, segundo a agência de classificação de risco Fitch Ratings.
Desde novembro de 2021, a Petrobras segue uma política de dividendos que prevê pagamentos trimestrais e estabelece uma remuneração mínima para os acionistas. A alteração ocorreu após a companhia conseguir reduzir o seu nível de endividamento.
Sob os termos atuais, a remuneração mínima aos acionistas será de US$ 4 bilhões por ano quando o preço médio do petróleo tipo Brent ficar acima de US$ 40 o barril – o que aconteceu neste ano e quase certamente acontecerá no ano que vem. Neste caso, o pagamento será feito independentemente do nível de endividamento da companhia.
Além disso, se no último trimestre do ano a dívida bruta da Petrobras for igual ou inferior a US$ 65 bilhões e a empresa acumular lucro no ano, os acionistas têm direito a receber 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos. Esta regra, porém, só se aplica se este valor superar o da remuneração mínima aos acionistas e não comprometer a sustentabilidade financeira.
A Fitch, no entanto, considera que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará alterações relevantes no conselho de administração e na diretoria executiva da Petrobras assim que assumir a Presidência da República. Com isso, outras mudanças são esperadas na estatal.
“Deve haver mais interferência nas políticas de preços e no plano de negócios da empresa, inclusive nas decisões de investimentos e dividendos”, diz a Fitch.
A agência ressalta que “não vê justificativa econômica para o governo interferir na Petrobras, mas os benefícios políticos, como criação de empregos e influência em políticas públicas, são consideráveis”, acrescentou.
Vale destacar, porém, que a Fitch atribui uma perspectiva estável para a nota de crédito da Petrobras. Isto significa que, até o momento, a agência acha que o risco de a empresa deixar de pagar dívidas não deve melhorar nem piorar.
Ano favorável para petrolíferas
A Fitch enxerga um ambiente favorável para o setor de petróleo e gás na América Latina em 2023, mesmo com a recente redução nos preços destas commodities.
Em novembro, o barril do petróleo Brent foi negociado em torno de US$ 104 em média, ou quase 50% acima da média de 2021. Hoje, por volta das 13h30, os preços estavam pouco abaixo de US$ 82 no mercado futuro da ICE.
“A Fitch espera um aumento consistente na produção em 2023, em linha com o observado em 2022, o que deve compensar a esperada redução de preços no longo prazo”, diz a agência, acrescentando que a lucratividade das companhias do setor deve ficar estável em 2023.
“Este ambiente se deve à forte alta de preços do petróleo, resultante das sanções impostas à Rússia, maior demanda e cortes de fornecimento estabelecidos pela Opep+. Os preços devem ser corrigidos em 2023, à medida que a demanda se estabiliza, mas a guerra na Ucrânia e a demanda chinesa continuam como fator de volatilidade dos preços dos hidrocarbonetos”, afirmou.
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