O Banco Pan, única instituição financeira com capital aberto na Bolsa a oferecer crédito consignado para beneficiários do Auxílio Brasil, aguarda os primeiros pagamentos dos clientes que já receberam o empréstimo e a posição do novo governo sobre o produto para ter uma ideia mais clara sobre o potencial da iniciativa.
Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (3), o CEO do Pan, Carlos Eduardo Guimarães, disse que, no primeiro mês do produto, em outubro, os empréstimos consignados com o Auxílio somaram R$ 1 bilhão e chegaram a cerca de 400 mil clientes, com um valor médio de R$ 2,5 mil para cada.
Questionado sobre qual seria o potencial desse produto, o executivo disse que ainda não há uma meta ou projeção, porque o banco está “tateando” e espera para ver como será o comportamento do cliente e qual será a postura do governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vez que o produto foi lançado pela gestão de Jair Bolsonaro.
“Vamos ver como serão os próximos 15 a 30 dias, para ter uma visibilidade muito maior referente a esse produto”, disse o executivo, que ressaltou que o peso é “muito maior” para os primeiros pagamentos do que para a postura do novo governo.
Guimarães, contudo, acredita que o crédito consignado com o Auxílio Brasil está “muito bem formalizado e defendido” e, portanto, não caberia uma discussão. “E quanto à perpetuidade desse produto, não temos certeza, vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos.”
Uma mudança que pode acontecer, disse o executivo, é que o valor do Auxílio Brasil pode passar a ser de R$ 600 mensais de forma definitiva, conforme sinalizado pelo presidente eleito durante a campanha.
Por enquanto, o valor de R$ 600 vale somente até o fim do ano, porque houve uma adição temporária de R$ 200. Em tese, a partir do ano que vem, se nada mudar, o benefício volta para R$ 400. Para o crédito consignado, o valor de referência para o cálculo do risco é de R$ 400.
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Segundo o CEO do Pan, dos 22 milhões de clientes do banco, há 1,5 milhão que já recebem o Auxílio Brasil e poderiam aderir ao crédito consignado.
Estudos feitos pelo banco indicam que 40% não têm acesso ao mercado formal de crédito dos bancos e os outros 60% estão com faturas vencidas no cartão de crédito, pagando juros superiores a 10% ao mês.
No consignado com o Auxílio Brasil, o teto definido pelo governo é de uma taxa de juros de 3,5% ao mês.
Antes da definição desse teto, o Pan pretendia trabalhar com taxas de até 4,9%. “Com a definição de um teto de 3,5%, o que fizemos foi ajustar o nosso risco máximo para nos adequarmos à taxa que foi definida”, disse.
Segundo ele, é esperado que a taxa de inadimplência do produto seja “razoavelmente maior” que o consignado concedido a beneficiários do INSS. O executivo reiterou que o risco maior de inadimplência está ligado a possíveis cancelamentos, ou seja, quando o cliente deixa de ter direito ao benefício do Auxílio Brasil.
O executivo disse ainda que vê um “potencial muito grande” para o produto, mas ressaltou que o banco vai esperar para ver o nível de cancelamento no início. Se houver um cancelamento maior que o esperado, o banco vai recalibrar o modelo de concessão de crédito.
Por enquanto, a maioria dos clientes tem pedido o crédito consignado com o Auxílio para pagar dívidas ou empreender.
Na visão de Guimarães, o novo governo tende a gostar do produto. “Achamos que o novo governo vai achar bacana, porque é uma taxa mais barata e com a possibilidade de empreender”, disse.
Pela manhã, o Pan divulgou balanço para o terceiro trimestre e registrou lucro líquido de R$ 193 milhões, crescimento de 1,3% em relação a igual período do ano passado.
Por volta das 16h15, a ação do Pan (BPAN4) subia 1,44%, a R$ 7,75.