Oi (OIBR3): Justiça dos EUA acata pedido de proteção contra credores e ações disparam

As ações da Oi disparavam após a notícia, mas a empresa ainda enfrenta riscos altos de insolvência

Foto: Shutterstock/Alison Nunes Calazans

A Oi (OIBR3) informou ao mercado nesta terça (14) que o Juízo de Falências dos Estados Unidos aceitou os pedidos formulados pela companhia e suas subsidiárias para evitar que credores cobrem dívidas da companhia.

O movimento já era esperado após a companhia ter pedido proteção contra credores à Justiça do Rio de Janeiro e solicitado pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos na semana passada.

De acordo com a empresa de telefonia, a Justiça dos Estados Unidos ainda vai analisar, em 29 de março, se reconhecerá o processo cautelar aberto no Brasil e um eventual pedido de recuperação judicial que venha a ser ajuizado no país como um procedimento principal estrangeiro.

Na Bolsa brasileira, por volta das 11h40, o papel ordinário da Oi disparava 13,67% enquanto o preferencial (OIBR4) apontava em 8,17% para cima.

Ao mesmo tempo em que se movimentou nos EUA, a Oi avalia entrar em um novo processo de recuperação judicial no Brasil.

Qual é o problema da Oi?

A Justiça brasileira concedeu proteção contra credores à Oi após a empresa alegar que teria dificuldades para pagar mais de R$ 600 milhões em juros e dívidas com vencimento no início de fevereiro, e que a inadimplência, neste caso, permitiria que credores cobrassem antecipadamente outras dívidas – o que, na prática, poderia levar a companhia à falência.

A Oi também argumentou que, nos últimos meses, sua recuperação financeira foi prejudicada por uma série de fatores – entre elas a demora na venda de ativos, a necessidade de investimentos imprevistos, a valorização do dólar e a perda de clientes – e que tentou, sem sucesso, chegar a um acordo com credores antes de recorrer à Justiça.

Ainda de acordo com a Oi, mesmo com um “sucesso” na primeira recuperação judicial da companhia, encerrada em dezembro do ano passado e que permitiu a redução substancial do seu endividamento total, a estrutura de capital continua insustentável.

Segundo a agência de classificação de risco Fitch, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Oi nos 12 meses encerrados em setembro de 2022 foi de R$ 517 milhões, enquanto a dívida da empresa está perto de R$ 35 bilhões.

Isso significa que, ainda que fosse possível a Oi usar todo o seu resultado operacional para pagar a própria dívida, levaria décadas até a empresa conseguir quitar seus compromissos – o que exemplifica o alto risco de insolvência da companhia.

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques econômicos da próxima semana

Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   Segunda-feira (31/03/2025)   08:25 – BrasilBoletim FocusO Banco Central do Brasil divulgará o Boletim Focus às

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.