Constantemente cobrada pelo mercado para dar lucro, a Nu Holding (NUBR34), dona do Nubank (NUBR33), conseguiu reduzir o seu prejuízo no primeiro trimestre, mas não escapou do fantasma que tem assombrado todo o sistema financeiro: o aumento da inadimplência.
Nos primeiros três meses do ano, a companhia teve prejuízo de US$ 45,1 milhões no primeiro trimestre, uma queda de 8,70% em relação às perdas de um ano antes. O lucro ajustado, por sua vez, totalizou US$ 10,1 milhões no período, revertendo o prejuízo de US$ 11,9 milhões na mesma base de comparação.
Segundo a empresa, a melhora dos indicadores se deve principalmente à diminuição do custo de aquisição de clientes, ao aumento da receita por cliente e à redução do custo de serviço — que vinha pressionando os resultados da companhia nos últimos anos.
Ao final do trimestre, o número de clientes do roxinho estava em 59,6 milhões, uma alta de 60,64% ante igual período do ano passado, proporcionando uma receita média mensal por cliente ativo de US$ 6,7, valor quase duas vezes maior que o mesmo período de 2021.
Diante disso, a receita do banco alcançou US$ 877,2 milhões no trimestre, uma alta de mais de três vezes quando comparação ao mesmo período de 2021.
No primeiro trimestre do ano, o custo médio mensal de atendimento por cliente ativo apresentou uma queda de 30% na base anual, para US$ 0,73, à medida que o banco aumenta sua escala.
A carteira de crédito do banco subiu mais de cinco vezes em relação ao mesmo trimestre do ano passado, para US$ 3,1 bilhões. No período, as despesas com provisão para perdas de crédito alcançaram US$ 921 milhões, uma alta de 35% ante o mesmo intervalo do ano anterior. As despesas com provisão alcançaram 3% da carteira do Nubank, uma estabilidade na mesma base de comparação.
“Nossa carteira de crédito teve expansão significativamente superior à do mercado e manteve níveis de qualidade saudáveis. Esse resultado é fruto do nosso avançado modelo de risco e de nosso portfólio de crédito disciplinado e resiliente, especialmente considerando as condições macroeconômicas atuais”, explicou David Vélez, fundador e CEO do Nubank.
O Nubank, porém, viu a inadimplência dar um salto no primeiro trimestre, diante de um cenário de juros mais elevados e inflação persistentemente alta. Nos primeiros três meses do ano, a taxa para atrasos superiores a 90 dias subiu para 4,2%, 0,7 ponto percentual acima do nível registrado no quarto trimestre do ano passado.
Os atrasos entre 15 e 90 dias subiram ainda mais, de 2,6% para 3,7%, um avanço de 1,1 p.p, entre o quarto trimestre do ano passado e o primeiro trimestre deste ano.
No primeiro trimestre, o volume de compra dos clientes do Nubank alcançou US$ 15,9 bilhões, valor duas vezes maior que o visto no mesmo período do ano anterior.