Nova conta da B3 (B3SA3) reduz em R$ 112,7 bilhões a entrada de dinheiro gringo na Bolsa desde 2020

Empresa dona da Bolsa revelou números atualizados para o fluxo de capital estrangeiro em 2020 e 2021

Foto: Shutterstock

Após revelar em abril que havia mudado a forma de contabilizar a entrada de investimentos estrangeiros na Bolsa e que a nova metodologia reduzira em R$ 27 bilhões o saldo de 2022, a  B3 (B3SA3) apresentou nesta sexta-feira (20) os números atualizados para os anos de 2020 e 2021, que também ficaram menores.

Em relação a 2021, a mudança de cálculo fez o saldo de dinheiro gringo sair do positivo para o negativo. Antes, estimava-se que os investidores estrangeiros haviam colocado R$ 70,8 bilhões. Agora, calcula-se que, na verdade, houve uma saída de R$ 7,2 bilhões — uma diferença, portanto, de R$ 77,9 bilhões, segundo a B3.

Em 2020, o saldo já era negativo, de R$ 31,8 bilhões, e piorou ainda mais, para R$ 39,7 bilhões, uma variação de R$ 7,8 bilhões. Com as novas contas para 2020, 2021 e 2022 (até março), a B3 reduziu, no total, a entrada de dinheiro estrangeiro em R$ 112,7 bilhões.

O novo saldo de 2022 até março, divulgado em abril, caiu de R$ 91,1 bilhões para R$ 64,1 bilhões.

Segundo a B3, as contas foram refeitas de 2020 para cá porque, a partir de outubro daquele ano, os dados divulgados estavam incluindo as operações de empréstimos de ativos em tela que, na verdade, não constituem aportes de recursos. Os valores, portanto, precisaram ser subtraídos.

Na apresentação dos novos números, a B3 fez questão de ressaltar que a saída de investimentos estrangeiros significa a venda de ativos para investidores locais.

Em 2021, segundo a B3, o saldo negativo de fluxo externo foi compensado pela entrada de R$ 47 bilhões de investimentos de pessoas físicas; R$ 25 bilhões, de investidores institucionais; R$ 3 bilhões, de instituições financeiras; e R$ 3 bilhões, de outros investidores.

Além disso, a B3 atualizou o fluxo de investidores estrangeiros no mercado primeiro, que inclui ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) e ofertas secundárias (follow ons). Nesse caso, todas as variações foram para cima.

Em 2022 até março, o saldo de investidores estrangeiros nas ofertas passou de R$ 3 bilhões para R$ 3,7 bilhões. Em 2021, saltou de R$ 31,6 bilhões para R$ 48,7 bilhões. E, em 2020, de R$ 29,2 bilhões para R$ 40,36 bilhões. Na soma dos três anos, o número total melhorou em R$ 28,9 bilhões.

Em conta que considera as diferenças tanto no mercado secundário (redução de 112,7 bilhões) quanto no primário (aumento de R$ 28,9 bilhões), houve uma diminuição total de R$ 83,9 bilhões, de 2020 até março de 2022, no fluxo de investidores estrangeiros registrado pela B3.

A B3 ressaltou que as mudanças de cálculos no valor dos investidores estrangeiros no mercado primário não altera os montantes totais captados pelas empresas em suas ofertas.

 

 

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