A MRV&Co (MRVE3), que engloba as empresas MRV, AHS, Luggo e Urba, foi surpreendida pelo avanço da inflação nos primeiros meses do ano e viu a sua margem bruta — a diferença entre o custo para produzir e o faturamento — cair para 19,8% no primeiro trimestre de 2022, ante 27,8% em igual período do ano passado, de acordo com balanço publicado pela companhia na noite desta quinta-feira (12).
Não por acaso, ainda que a MRV tenha registrado receita recorde no primeiro trimestre, o lucro líquido teve queda de 38,9% no período, em relação aos primeiros três meses de 2021, para R$ 83 milhões, abaixo de projeções como a dos analistas do Itaú BBA, que esperavam lucro líquido de R$ 108 milhões.
Quando realizou seus primeiros cálculos para estabelecer o orçamento de 2022, a MRV projetou que a inflação da construção civil, medida pelo INCC (Índice Nacional da Construção Civil), do IBGE, seria 4,5%.
No entanto, “eventos como o conflito entre a Rússia e a Ucrânia e a intensificação da inflação de energia e de
commodities demonstraram que as projeções inflacionárias de 4,5% ao ano seriam insuficientes”, disse a empresa, que reviu a sua previsão e agora espera uma inflação de 7% para o setor.
Segundo a MRV, porém, o maior impacto da pressão inflacionária na margem reportada está concentrado nas safras mais antigas, composta por produtos vendidos com preços antes dos reajustes e já repassados ao banco financiador. Só em relação às novas vendas do primeiro trimestre, a margem já é um pouco maior, de 23%.
No primeiro trimestre, a receita operacional líquida teve avanço de 4,8% entre o primeiro trimestre de 2021 e o de 2022, para R$ 1,675 bilhão. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 199 milhões no trimestre, queda de 5,8% ante o mesmo período de 2021.
O valor geral de vendas (VGV) também subiu no trimestre, para R$ 1,745 bilhão – alta de 7,8% em relação aos mesmos três meses de 2021. Enquanto o número de unidades vendidas contraiu 8,1%, para 8,931 mil, o preço médio por unidade teve alta de 17,2%, para R$ 195 mil.
Casa Verde Amarela
O aumento no preço médio vai em linha com a estratégia da MRV de expandir suas diversas linhas de negócios, diluindo a participação do programa Casa Verde e Amarela do total de seus resultados.
“A MRV&Co focou seus lançamentos nas linhas de negócios fora do programa habitacional Casa Verde e Amarela, aguardando o anúncio das novas curvas de subsídio e ajustando seu mix de produtos lançados, conforme estratégia de diversificação da companhia”, disse a MRV no relatório de resultados.
A companhia lançou 5,485 mil empreendimentos no período, que somam VGV de R$ R$ 1,741 bilhão, valor 1,8% superior ao visto um ano atrás.