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Mercado Livre (MELI34): alta no custo de financiamento e inadimplência são riscos, diz Goldman Sachs

Mercado Livre (MELI34): alta no custo de financiamento e inadimplência são riscos, diz Goldman Sachs

Banco revisou suas estimativas e rebaixou o preço-alvo da ação para US$ 2.330

Mercado Livre (MELI34). Foto: Divulgação

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Depois de um período explosivo, impulsionado pelo crescimento do e-commerce durante a pandemia de coronavírus, as ações do Mercado Livre (MELI) vêm sofrendo um baque nos últimos meses.

A ação fechou o pregão desta quarta-feira (15) em alta de 1,66%, a US$ 1.210,12, enquanto seus BDRs (MELI34) terminaram o dia com avanço de 1,64%, a R$ 57,12.

Os motivos para a queda recente são várias, de acordo com análise do Goldman Sachs em relatório distribuído nesta quarta. Entre eles, o banco cita a aceleração da curva de juros, a migração de investimentos de ações de crescimento para ações de valor, preocupações com questões macroeconômicas, aumento nos custos de financiamento e acirramento da concorrência.

Dois grandes temas que permeiam as conversas dos investidores, segundo o Goldman, são relativos ao braço de serviços financeiros da varejista: os impactos do aumento nos custos de financiamento sobre os spreads e uma possível deterioração na qualidade de crédito da plataforma.

Aumento dos custos de financiamento

A expectativa do banco é que as taxas sobre transações da empresa sigam pressionadas nos próximos trimestres, devido principalmente a uma compressão do spread financeiro. O Goldman espera que a pressão comece a diminuir no primeiro semestre de 2022 e que uma recuperação gradual comece no terceiro trimestre do próximo ano.

A maior fonte de pressão, na análise do banco, é o aumento nos custos de financiamento, especialmente no Brasil, onde a curva de juros tem subido de forma acelerada. Na teleconferência de resultados do terceiro trimestre, a administração da empresa comunicou o objetivo de limitar o repasse desta alta para os vendedores, o que pode pressionar ainda mais estes spreads.

Um ponto positivo, na visão do Goldman, é que, depois de ter recebido licença para atuar como instituição financeira do Brasil no fim de 2020, o Mercado Livre começou a diversificar suas fontes de financiamento, passando a usar também a emissão de letras financeiras e CDBs, que costumam ser mais baratos do que FIDCs e linhas de crédito com outras instituições.

Qualidade do crédito

O crédito não-produtivo (em situação de inadimplência) permaneceu praticamente estável nos últimos trimestres.

Uma vantagem competitiva no Mercado Livre, na visão do Goldman, é o fato de ter uma base proprietária de dados para analisar com profundidade a situação de crédito dos seus clientes. Além disso, a possibilidade de monitorar dados em um nível micro permite mais precisão ao realizar ajustes em cenários de mudanças no perfil de risco. O banco ressalta, ainda, o fato de a maior parte dos empréstimos do Meli ser de curta duração, o que permite correções rápidas.

Apesar disso tudo, a expectativa do Goldman é que o crédito não-produtivo piore no curto prazo.

Alinhando as estimativas

Apesar de reconhecer os riscos, o time de analistas do banco acredita que “mudanças de mix em direção a empréstimos, precificação e novos mecanismos de financiamento irão compensar isso gradualmente”. Além disso, o Goldman aponta que um potencial aumento no crédito não-produtivo pode não necessariamente refletir uma deterioração na qualidade do crédito ou na lucratividade.

Ainda assim, o banco prevê taxas sobre transações pressionadas no curto prazo, devido à compressão dos spreads, o que fez com que suas estimativas de receita líquida, Ebitda e lucro líquido fossem reduzidas em 1%, em média, entre 2021 e 2023.

Com isso, o banco reduziu em 4% seu preço-alvo de 12 meses para a ação, de US$ 2.420 para US$ 2.330. A recomendação de compra foi mantida.

Fatores que podem fazer com que a performance da empresa venha abaixo do previsto, segundo o Goldman, são volatilidade cambial; aumento da concorrência; e investimentos acima do esperado.

 

 

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