As ações da Alpargatas (ALPA4), que amargam perdas de mais de 40% desde o início do ano, inverteram a tendência nos últimos dias, liderando as altas do Ibovespa nos dois últimos pregões. Depois de saltarem 10,06% na última quinta-feira (25), os papéis operavam em alta de 5,2% por volta das 14h desta sexta (26), a R$ 21,99.
E os motivos são vários, de acordo com Enrico Cozzolino, head de análise da Levante Investimentos, e Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management. Em primeiro lugar, o mercado repercute falas do CEO da companhia, Roberto Funari, durante uma conferência organizada pelo banco de investimentos JP Morgan.
O executivo falou sobre a estratégia de internacionalização da Alpargatas, além de ter anunciado que a companhia irá investir R$ 630 milhões neste ano em melhorias de produção e logística, de acordo com uma matéria do portal Brazil Journal.
“O CEO passou uma espécie de confiança na tese de que a Havaianas cresce agora em uma internacionalização, e irá fazer investimentos na área industrial”, afirma Gonçalvez, citando também os investimentos na malha logística e em tecnologia como pontos positivos do discurso.
“A alta reflete o mercado colocando grande expectativa sobre a reorganização da produção e da logística que a empresa começou a implementar, possibilitando redução de custos e de ineficiências”, avalia Cozzolino.
Mas o ânimo também vem do outro lado do mundo, na análise de Cozzolino: da China, considerada uma das principais vias de crescimento das operações internacionais da Alpargatas.
“Acho que os estímulos chineses, com redução de juros por lá, podem ter contribuído, com a demanda sazonal ajudando e uma melhora ocorrendo em virtude do fim dos lockdowns”, afirma o analista.
Por fim, Cozzolino menciona ainda os resultados da companhia no segundo trimestre, que indicam um poder de repasse de inflação de custos superior ao apresentado por outras empresas.
Também nesta frente as falas de Roberto Funari transmitiram confiança, na avaliação de Gonçalvez. “Ele foi bem enfático, demonstrando segurança de que essa inflação é repassada para o consumidor final”.
O especialista acredita que a percepção de que o setor vive um momento melhor também pode estar ajudando. “Estamos vivendo um segundo semestre bem melhor do que o primeiro e do que o ano passado para o varejo”, explica.