Na mesma linha das bolsas internacionais, o Ibovespa teve mais um dia de recuperação, com a terceira alta seguida. O índice fechou em alta de 1,70%, aos 106.859 pontos, refletindo a diminuição nos receios com a variante Ômicron do coronavírus. Esse é o maior nível de fechamento desde 11 de novembro, quando o Ibovespa terminou o dia em 107.595 pontos.
Em Wall Street, o pregão também foi marcado por maior calmaria. O índice Dow Jones avançou 1,87%, o S&P 500 teve alta de 1,17% e o Nasdaq, de 0,93%.
No fim de semana, foi divulgado um estudo preliminar sobre pacientes infectados com a variante Ômicron admitidos nas alas montadas para o tratamento da doença num complexo hospitalar da cidade de Tsuane, na África do Sul.
O estudo mostrou que dois terços deles conseguiam respirar sem a ajuda de aparelhos. A África do Sul e, em particular, a cidade de Tsuane, seriam o epicentro desta nova variante. A análise foi feita num período de duas semanas, e considerou também pacientes que foram internados por outros motivos e que foram diagnosticados com Covid-19.
O documento aponta que os dados são preliminares e que ainda pode haver piora no quadro de saúde dos pacientes nas próximas semanas.
Os investidores, porém, receberam as informações com alívio. Segundo o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos, os dados sugerem que a Ômicron não causaria danos sérios, como as demais variantes, embora tenha potencial de ser mais transmissível e resistente a vacinas.
Destaques da sessão
As ações de empresas relacionadas a viagens aéreas tiveram alguns dos ganhos mais intensos dentre os componentes do Ibovespa.
O papel da GOL (GOLL4) subiu 11,34%, reagindo também à notícia de que a demanda por voos da companhia cresceu 17,1% em novembro. Embraer (EMBR3) avançou 5,64%, recebendo impulso adicional do anúncio de que sua subsidiária Eve vai fornecer dez aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical (eVTOLs) à Nautilus Aviation.
A Petrobras (PETR3; PETR4) fechou em alta mesmo depois de o presidente Jair Bolsonaro afirmar que a empresa vai cortar o preço dos combustíveis esta semana. A companhia não confirmou a informação, mas o reajuste é esperado porque o petróleo se desvalorizou cerca de 15% desde a última vez em que a Petrobras alterou os preços de combustíveis, no final de outubro. PETR4 subiu 0,45%, enquanto PETR3 avançou 0,93%.
A ação da CCR também avançou (CCRO3; +3,11%), após a notícia de que o fundo de pensão canadense Caisse de dépôt et placement du Québec (CDPQ), que faz a gestão de pouco mais de US$ 300 bilhões, teria interesse na companhia.
O segmento de siderurgia e mineração teve igualmente um dia favorável, o que, segundo Chinchila, pode ser associado à decisão da China de cortar a taxa de compulsório bancário, medida que visa a estimular o crédito e o crescimento do país. As ações da Vale (VALE3) avançaram 5,43%.
Fora do Ibovespa, Marisa (AMAR3) diparou 15,75% depois de anunciar que vai emitir novas ações para captar até R$ 249,9 milhões junto a investidores.
No lado negativo, as ações da Méliuz (CASH3) recuaram 11,7%. O movimento, porém, ocorre depois de os papéis terem subido 31,03% na sexta-feira, impulsionados pela divulgação de dados recorde sobre vendas.
Fique de olho amanhã
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado deve votar na terça-feira, 7, a partir das 9h, um projeto de lei cujo objetivo é mitigar a oscilação no preço dos combustíveis.
O projeto abre espaço para a criação de um mecanismo que suaviza a flutuação do preço dos combustíveis. Ele funcionaria com base no preço médio desses produtos no mercado internacional. O governo determinaria os limites de variação, e compensaria as empresas quando o mecanismo forçasse a adoção de preços menores que os do mercado.
No Brasil, o indicador que mais chamará a atenção será o IGP-DI (Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna) de novembro, que será publicado às 8h pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
No exterior, serão divulgados dados sobre o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro, às 7h, e às 10h30 saem os números sobre a produtividade dos Estados Unidos. Além disso, às 17h, o Fed (banco central dos Estados Unidos) divulga informações de crédito ao consumidor de outubro.