Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

O mercado acompanhou nesta semana a divulgação de indicadores relevantes no Brasil e nos Estados Unidos, que influenciaram as expectativas dos investidores. No cenário doméstico, o IPCA-15 avançou 0,41% em junho de 2026, desacelerando em relação aos 0,62% registrados em maio e ficando abaixo da expectativa do mercado, de 0,44%. Já a taxa de desemprego no trimestre móvel encerrado em maio foi de 5,6%, em linha com as projeções dos analistas.

Nos Estados Unidos, o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), principal referência de inflação para o Federal Reserve, subiu 0,4% em maio na comparação mensal. O núcleo do indicador, que desconsidera os preços de alimentos e energia, avançou 0,3% no período. Já o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 2,1% em taxa anualizada no primeiro trimestre de 2026, acima da expectativa do mercado, de 1,6%, e acelerando em relação à expansão de 0,5% observada no quarto trimestre de 2025.

Altas:

Assaí (ASAI3) liderou os ganhos da semana, com valorização de 15,42%. Na última sexta-feira (26), a companhia realizou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 0,1043 por ação, totalizando R$ 140 milhões. Tiveram direito ao provento os acionistas com posição na companhia ao fim do pregão de 6 de janeiro de 2026. Desde 7 de janeiro, as ações passaram a ser negociadas na condição de ex-direitos. O pagamento foi imputado ao dividendo mínimo obrigatório referente ao exercício de 2025 e integra a remuneração aos acionistas do período. Os valores estão sujeitos à retenção de imposto de renda na fonte, exceto para investidores isentos ou imunes.

Vivara (VIVA3) avançou 12,90% na semana. O mercado segue amplamente otimista com a companhia, que conta com preço-alvo médio de R$ 35,64 para os próximos 12 meses e recomendação de compra por 12 analistas. O elevado potencial de valorização em relação às cotações atuais tem atraído investidores interessados em ativos descontados. As ações vinham sendo negociadas próximas da mínima de 52 semanas após a divulgação do balanço, refletindo preocupações com a receita. No entanto, sem novos fatores negativos e diante dos esforços da companhia para controlar custos, a pressão sobre o papel perdeu força.

MBRF (MBRF3) acumulou alta de 11,91% na semana. O desempenho reflete a melhora das perspectivas para as exportações da BRF ao Oriente Médio, especialmente dos produtos da marca Sadia destinados à Arábia Saudita. O mercado passou a precificar um ambiente geopolítico mais favorável para a companhia, enquanto a operação de carne bovina nos Estados Unidos segue mais fraca. Nesse contexto, uma melhora nas exportações de frango ganha maior relevância para os resultados consolidados. Além disso, a retirada das tarifas norte-americanas sobre a carne bovina brasileira continua favorecendo as operações da empresa nas Américas no médio prazo.

C&A (CEAB3) encerrou a semana com alta de 11,20%, impulsionada pela avaliação do Itaú BBA de que a varejista está “irracionalmente barata”. O banco reiterou a companhia como sua principal recomendação no setor de consumo discricionário da América Latina, destacando o desconto em relação à Lojas Renner, a sólida geração de caixa e a possibilidade de revisões positivas nas estimativas de resultados após o segundo trimestre. Na avaliação da instituição, fatores técnicos e movimentos de curto prazo têm prevalecido sobre os fundamentos das empresas, em um cenário ainda marcado por incertezas macroeconômicas e preocupações com a trajetória dos juros.

Baixas:

Braskem (BRKM5) registrou a maior queda da semana, com recuo de 16,67%. A companhia informou que apresentou aos detentores de notas seniores e debêntures uma proposta de reestruturação financeira por meio de recuperação extrajudicial. As condições, no entanto, foram consideradas insatisfatórias pelos credores, impedindo um acordo. A petroquímica também anunciou o início de um processo de mediação na Câmara Wind de Mediação e protocolou pedido de tutela de urgência cautelar na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo. As medidas envolvem exclusivamente os credores financeiros da companhia.

CSN (CSNA3) recuou 10,08% na semana. A siderúrgica negocia um acordo de fornecimento com o China Mineral Resources Group (CMRG), estatal chinesa responsável pela compra de minério de ferro, em um movimento que reforça a estratégia de Pequim de ampliar sua influência sobre os preços da commodity. Pelo modelo em discussão, o CMRG passaria a atuar como agente exclusivo de vendas para parte das cargas comercializadas pela CSN na China, seguindo estrutura semelhante à adotada anteriormente com a Roy Hill.

Usiminas (USIM5) caiu 9,81% na semana. O movimento acompanhou a rotação setorial observada no mercado, com investidores reduzindo posição em empresas ligadas ao ciclo de commodities e ampliando exposição a companhias mais beneficiadas pela perspectiva de queda dos juros futuros. O fluxo foi favorecido por sinais de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã.

Suzano (SUZB3) encerrou a semana com queda de 7,22%. No curto prazo, o cenário para o mercado de celulose segue desafiador. O BTG Pactual avalia que o mercado chinês está próximo de um pico de curto prazo, diante dos elevados estoques, do enfraquecimento da demanda e das condições desfavoráveis para a celulose de fibra longa. O banco não descarta uma correção entre 5% e 10% nos preços da commodity na China. Apesar disso, a companhia busca reduzir sua dependência do mercado chinês por meio de iniciativas de substituição de fibras e expansão em mercados como Europa e América do Norte. Além disso, o Bank of America rebaixou a recomendação das ações de Compra para Neutra e reduziu o preço-alvo para o fim de 2026, de R$ 82 para R$ 57.

A semana foi marcada por indicadores econômicos que reforçaram sinais de desaceleração da inflação no Brasil e de fortalecimento da atividade econômica nos Estados Unidos. No mercado acionário, o desempenho das empresas foi impulsionado principalmente por fatores específicos, como proventos, recomendações de analistas, perspectivas para exportações e eventos corporativos.

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