Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

A semana de 15 a 20 de março foi marcada pelas decisões de política monetária no Brasil e no exterior, em um ambiente de maior incerteza. Com a terceira semana de conflitos no Oriente Médio, os mercados operaram com maior volatilidade e redução da exposição ao risco. 

No cenário internacional, o Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, em linha com as expectativas. A atenção dos investidores, no entanto, se concentrou na comunicação de Jerome Powell, interpretada como mais cautelosa, com ênfase na evolução e nas perspectivas de inflação nos Estados Unidos. 

No Brasil, o Banco Central do Brasil iniciou o ciclo de flexibilização monetária ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A autoridade, contudo, sinalizou prudência à frente, destacando o aumento das incertezas globais diante da intensificação dos conflitos geopolíticos, com impactos nas condições financeiras e na volatilidade dos ativos. 

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que vinha sustentando a entrada de capital estrangeiro e contribuindo para a apreciação do real, passa a enfrentar novos desafios. O avanço das tensões geopolíticas tem favorecido o fortalecimento do dólar, pressionando as moedas de países emergentes. 

Nesse contexto, confira as principais variações do Ibovespa: 

Maiores altas 

Eneva (ENEV3) liderou os ganhos da semana, com alta de 24,70%, impulsionada pelo resultado do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap). A companhia respondeu por 27% do volume contratado, garantindo projetos termelétricos que somam 3,6 GW de nova capacidade e exigirão cerca de R$ 18 bilhões em investimentos até 2031. O desempenho reforça a expansão do portfólio e aproxima a empresa de um valor de mercado de R$ 50 bilhões. 

Prio (PRIO3) avançou 17,46%, sustentada por perspectivas favoráveis de retorno ao acionista em um cenário de petróleo mais elevado. Relatório do Itaú BBA aponta potencial de dividend yield superior ao dos pares caso o Brent permaneça acima de US$ 75 por barril. A companhia também anunciou a abertura do primeiro poço produtor no campo de Wahoo, reforçando o vetor de crescimento operacional. 

Natura (NATU3) subiu 6,35% após reverter prejuízo e registrar lucro líquido de R$ 186 milhões no quarto trimestre de 2025. Desconsiderando efeitos não recorrentes ligados à venda da The Body Shop, o resultado ajustado alcançaria R$ 620 milhões, evidenciando melhora operacional relevante na comparação anual. 

Copel (CPLE3) teve alta de 5,25%, refletindo sua estratégia de expansão no leilão de capacidade, com projetos de ampliação de usinas hidrelétricas e início de operação previsto para 2030. A companhia destacou o movimento como parte relevante de seu plano de crescimento de longo prazo. 

Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) avançou 4,72%, em meio a negociações para um empréstimo-ponte voltado ao alongamento do perfil da dívida. A operação está atrelada ao plano de venda de ativos e busca reequilibrar a estrutura de capital da companhia. 

Maiores quedas 

Minerva (BEEF3) recuou 15,74%, apesar de resultados sólidos ao longo de 2025, com melhora na alavancagem e forte geração de caixa. O movimento reflete realização de lucros após o desempenho positivo recente. 

Magazine Luiza (MGLU3) caiu 10,71%, pressionada por resultados fracos no quarto trimestre e ainda impactada pelo ambiente de juros elevados e consumo mais moderado, segundo avaliação do JPMorgan. 

Braskem (BRKM5) recuou 10,13% após a sanção de mudanças no regime tributário do setor químico, com benefícios abaixo das expectativas. O cenário adiciona incertezas à recuperação da companhia, que já enfrenta desafios relacionados à dívida e à estrutura de controle. 

Vamos (VAMO3) teve queda de 9,63%, em um movimento de ajuste, apesar das perspectivas positivas para o setor de locação, que segue em expansão no país. 

Cury (CURY3) recuou 8,01%, após anúncio de reestruturação administrativa, incluindo mudanças na liderança e proposta de novo modelo de governança, a ser votado em assembleia. 

A semana foi marcada por forte dispersão entre os ativos, com altas concentradas em empresas ligadas a eventos específicos e perspectivas de crescimento, enquanto as quedas refletiram ajustes após resultados, incertezas regulatórias e o ambiente macroeconômico ainda desafiador. 

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