Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

Fonte: Shutterstock/ranjith ravindran

A primeira semana de janeiro de 2026 foi marcada por forte volatilidade nos mercados, em meio a eventos geopolíticos e à divulgação de indicadores econômicos relevantes. No sábado (3), forças dos Estados Unidos realizaram uma ofensiva em Caracas e capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma ação que intensificou tensões internacionais e reacendeu disputas históricas ligadas ao setor petrolífero. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, e o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que pretende “recuperar” ativos e abrir o setor a empresas americanas. A operação gerou repercussão global, e o Conselho de Segurança da ONU deve discutir a legalidade e os desdobramentos da captura de um chefe de Estado. 

No campo dos indicadores, os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos vieram abaixo das expectativas. O relatório ADP apontou a criação de 41 mil vagas no setor privado em dezembro de 2025, enquanto o Payroll mostrou a abertura de 50 mil empregos não agrícolas e taxa de desemprego de 4,4%, ambos aquém do consenso do mercado. No Brasil, o IPCA avançou 0,33% em dezembro, abaixo do esperado, levando a inflação acumulada de 2025 a 4,26%, inferior à de 2024 e dentro do intervalo de tolerância do regime de metas. 

Esse conjunto de fatores influenciou o desempenho dos ativos ao longo da semana. A seguir, confira as maiores altas e baixas do Ibovespa no período. 

Altas

Cogna (COGN3) liderou os ganhos da semana, com valorização de 17,57%, após o JPMorgan elevar a recomendação do papel para compra. O banco destacou o forte potencial de crescimento da companhia em 2026 e avaliou os atuais valuations como atrativos, fixando preço-alvo em R$ 6,50. 

CSN (CSNA3) avançou 13,10% no período, impulsionada pela aprovação de um financiamento de R$ 1,13 bilhão junto ao BNDES para a modernização de unidades da Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda (RJ). Os recursos serão destinados à atualização de plantas industriais, com foco em eficiência operacional, inovação tecnológica e redução de emissões, reforçando a agenda industrial e ambiental da companhia. 

Usiminas (USIM5) registrou alta de 9,53% na semana, após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar, sem restrições, a aquisição pela Ternium da participação acionária detida pelo Grupo NSC, formado por Nippon Steel e Mitsubishi. A decisão valida o acordo anunciado em novembro de 2025 e envolve a transferência de mais de 153 milhões de ações ordinárias. 

Embraer (EMBJ3) encerrou a semana com valorização de 8,20%, acompanhando o movimento global de alta das ações do setor de defesa e equipamentos militares. O desempenho reflete o aumento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Venezuela, após a operação que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, fator que impulsionou o segmento. Além disso, a companhia informou a entrega de 91 aeronaves no quarto trimestre, acima das 75 unidades despachadas no mesmo período do ano anterior, com destaque para o avanço na aviação executiva. Em 2025, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo entregou 244 aviões, superando as 206 unidades de 2024 e acima do guidance, que previa entre 222 e 240 aeronaves, excluindo Defesa & Segurança.

As ações da B3 (B3SA3) encerraram a semana com ganho de 7,67%, apoiadas pela aprovação da distribuição de juros sobre capital próprio (JCP), no montante de R$ 415,5 milhões, com pagamento previsto para 12 de janeiro. Além disso, a companhia anunciou a ampliação gradual do horário de negociação de contratos futuros de criptomoedas e de ouro a partir de março de 2026, o que foi bem recebido pelo mercado. 

Totvs (TOTS3) registrou valorização de 7,47% na semana, após informar que sua subsidiária concluiu a aquisição da TBDC Desenvolvimento de Software, pelo valor de R$ 80 milhões. A operação foi finalizada após o cumprimento de todas as condições precedentes, permitindo a incorporação do ativo ao ecossistema de soluções da companhia. Com o movimento, a Totvs reforça sua atuação nos segmentos de software e serviços, ampliando o potencial de geração de receitas por meio de estratégias de cross-selling.  

 

Baixas

C&A (CEAB3) liderou as perdas da semana, com queda de 13,05%, após sinalizar a analistas que as vendas nas mesmas lojas (SSS) no quarto trimestre de 2025 ficaram próximas de zero, bem abaixo da expectativa de crescimento entre 4% e 5%. O dado representou desaceleração relevante em relação ao desempenho observado nos trimestres anteriores. 

Azzas 2154 (AZZA3) caiu 6,70% na semana, em meio a um cenário de transição operacional. Apesar da melhora de lucro e margens, a companhia enfrenta desafios em segmentos específicos, como calçados e bolsas, além de um processo de reorganização da Hering, que envolve ajustes em produto, precificação, estoques e rede de lojas. 

Taesa (TAEE11) fechou a semana em queda de 4,53%. Apesar da geração consistente de resultados, do pagamento de dividendos robustos e do potencial de reembolso de ativos não depreciados, fatores que tendem a sustentar o valor das ações no longo prazo, o mercado manteve uma postura cautelosa. Em relatório, o Bradesco BBI reiterou recomendação de venda para o papel, mesmo após elevar o preço-alvo para R$ 38,00 ao final de 2026, ante R$ 30 anteriormente, citando a avaliação relativa elevada como principal motivo para a manutenção da visão conservadora. 

Weg (WEGE3) recuou 4,46% na semana, após o BB Investimentos retirar o papel de sua carteira de swing trade. O movimento ocorre após um 2025 marcado por desempenho fraco das ações, em meio a questionamentos sobre o ritmo de crescimento e fatores macroeconômicos, apesar da avaliação de analistas de que a companhia segue apresentando fundamentos operacionais sólidos. 

Na semana, o desempenho das ações refletiu a combinação de fatores macroeconômicos, eventos geopolíticos e notícias corporativas específicas. Enquanto papéis ligados a reestruturações, investimentos, operações societárias e setores beneficiados pelo cenário internacional concentraram as maiores altas, empresas expostas a desaceleração de consumo, mudanças regulatórias externas e revisões de recomendação ficaram entre as principais quedas, evidenciando um mercado seletivo e atento aos fundamentos. 

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