Lojas Renner (LREN3) acredita que indicadores devem retomar níveis de 2019 em 2022

Dados do primeiro trimestre deste ano já têm demonstrado crescimento em relação ao quarto trimestre de 2021

Foto: Divulgação

Apesar de reconhecer os desafios macroeconômicos que estão por vir, com a pandemia ainda limitando a mobilidade, a inflação subindo e o poder de compra da população caindo, a expectativa da Lojas Renner (LREN3) é que parte de seus indicadores volte, até o fim deste ano, para perto dos patamares de 2019, período anterior à pandemia.

“Reconhecemos os desafios macroeconômicos, mas, historicamente, nos mostramos resilientes em momentos mais desafiadores, e acreditamos que irá continuar assim”, disse Fabio Faccio, CEO da Renner, durante a teleconferência de resultados na tarde desta sexta-feira (18).

O executivo acrescenta ainda que os investimentos em tecnologia e dados que a companhia tem realizado devem ajudá-la a navegar melhor este momento de incerteza. Além disso, Faccio menciona que a relevância da marca para os consumidores também joga a seu favor.

Em relação à pandemia de Covid-19, a leitura da companhia é que, com a diminuição das restrições para combater a disseminação do vírus, a população se sente mais segura, volta a circular com mais tranquilidade e, por consequência, consume mais os itens que a Renner vende. “Temos sentido isso no dia a dia”, aponta o CEO.

Já para a inflação, a empresa enxerga pressões em duas frentes. Por um lado, as pressões sobre os preços corroem o poder de compra dos consumidores, o que pode fazer com que eles deixem de consumir itens que não consideram essenciais, como vestuário.

Por outro lado, existe a inflação sobre os custos da empresa, com escalada dos preços de commodities como algodão, matéria prima para os produtos da Renner, e o petróleo, que pressiona os custos de frete. A expectativa da companhia é que este cenário continue.

O diferencial, porém, é que, agora, a empresa tem sido capaz de repassar os preços para os produtos com mais facilidade. “O repasse para o preço do produto no momento inicial foi mais difícil do que agora. O cliente aceitava menos e a elasticidade da demanda era mais forte”, explica Faccio.

Níveis pré-pandemia estão próximos

Segundo a empresa, os dados do primeiro trimestre deste ano já têm demonstrado crescimento em relação ao quarto trimestre de 2021.

Em termos de margem bruta e Ebitda, apesar dos desafios que seguem sobre a mesa, a expectativa da empresa é encerrar 2022 perto dos patamares de 2019.

No quarto trimestre, o Ebitda ajustado total de R$ 776,1 milhões representou alta de 5,3% em relação aos últimos três meses de 2020, mas permaneceu 24,3% abaixo do quarto trimestre de 2019.

Sobre a margem bruta, a empresa ressalta que, neste primeiro trimestre, já está “muito perto” dos níveis pré-pandemia. O indicador fechou o quarto trimestre do ano passado a 55%, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2020, mas ainda 3 p.p. abaixo do registrado no quarto trimestre de 2019.

Para a receita, a expectativa é que o crescimento de 2022 seja maior do que a média histórica, com a aceleração começando em fevereiro – uma vez que as vendas de janeiro ainda foram impactadas pela variante Ômicron do coronavírus. No quarto trimestre de 2021, a receita líquida da Renner foi de R$ 3,56 bilhões, alta de 22% na comparação com o mesmo período de 2020.

Como o mercado avalia os resultados?

Os resultados da Lojas Renner vieram abaixo do esperado pela equipe de analistas da XP Investimentos, que destacou as margens, que seguem pressionadas pela pressão de custos e investimentos.

A Ativa Investimentos também aponta a rentabilidade, que ficou significativamente abaixo do que os analistas da corretora esperavam, pressionada por maiores investimentos, pressões inflacionárias e provisionamento.

Eles destacam, porém, que a receita ficou em linha com o esperado, com o menor fluxo de pessoas sendo parcialmente compensado por maior conversão, maior ticket médio e mais itens por compra.

Os analistas da Genial Investimentos consideram que os resultados vieram em linha com suas estimativas, mas abaixo das projeções do mercado, citando também o provisionamento acima no usual.

Na ponta positiva, a Genial destaca uma melhora nos fundamentos operacionais. “Diante de tais melhorias e por acreditarmos que a Renner ainda está em uma ótima posição para abocanhar parte do mercado num cenário pós-pandemia, pela situação confortável de caixa e dívida, ainda continuamos com a recomendação de compra”, dizem os analistas.

A visão mais otimista parece ser a dos analistas do BTG Pactual Digital: “Como esperado, os números do quarto trimestre da Lojas Renner apresentaram uma grande melhora em relação aos trimestres anteriores, com restrições de mobilidade muito menores e uma demanda reprimida por vestuário.”

Como as outras análises, também o BTG chama atenção, no lado negativo, para a margem.

As quatro instituições financeiras recomendam compra para a ação, com preço-alvo médio de R$ 38,72, o que corresponde a alta de 69% em relação ao valor do fechamento da última quinta-feira (18), de R$ 22,90. Entre elas, o maior preço-alvo é o da XP, de R$ 42, e o menor é da Genial, de R$ 35.

Este otimismo parece consenso no mercado. De acordo com dados da Refinitiv disponíveis na plataforma TradeMap, 11 das 13 instituições financeiras consultadas recomendam a compra da ação, enquanto uma indica a manutenção do papel na carteira e uma recomenda a venda. A mediana de preços-alvo dos analistas é de R$ 40, potencial de alta de 74,7%.

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