Investimento maior da Suzano (SUZB3) é ligeiramente negativo, diz Itaú BBA; ações despencam

Por volta de 11h50, o papel preferencial da gigante de papel e celulose operava em baixa de 3,22%, a R$ 51,46

Foto: Shutterstock/T. Schneider

A ação da Suzano (SUZB3) lidera as perdas no último pregão da semana e caem mais de 3%, após o investimento previsto para 2023, no valor de R$ 18,5 bilhões, não ser muito bem digerido pelo mercado, que esperava que esse valor pudesse ser menor, ao redor de R$ 16 bilhões, segundo o Itaú BBA.

Por volta de 11h50, o papel preferencial da gigante de papel e celulose operava em baixa de 3,22%, a R$ 51,46.

Na visão do banco, em relatório divulgado nesta sexta-feira (2), esse valor é ligeiramente negativo, mesmo que o investimento tenha ficado apenas R$ 590 milhões a mais do que a sua projeção, que era de R$ 17,9 bilhões, acima, inclusive, do previsto pelo próprio mercado.

“A principal divergência em relação aos nossos números foi o Capex [sigla em inglês para investimentos em bens de capital] acima do esperado para o Projeto Cerrado e para manutenção, no valor de R$ 1,8 bilhão e R$ 600 milhões, respectivamente, que mais do que compensaram o Capex abaixo do esperado para aquisição de terras e florestas e projetos de eficiência e outros, que era de R$ 600 milhões e R$ 1,2 bilhão, nesta ordem”, explicam Daniel Sasson e Marcelo Palhares, analistas do banco.

Para o BBA, o investimento acima do esperado no Projeto Cerrado não significa que a empresa tem aumentado seu investimento no ativo. “A Suzano está acelerando alguns pagamentos a fornecedores para se beneficiar do forte fluxo de geração de caixa à frente, prevendo um ambiente mais difícil em 2023 e 2024 para geração de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização)”.

Apesar disso, o banco prefere Suzano à Klabin, em função dos múltiplos mais baratos e do baixo preço de câmbio e celulose em seu valor de mercado atual, além da maior exposição da Suzano a celulose, que deverá continuar a surpreender positivamente os investidores com uma correção de preços mais gradual ao longo de 2023.

Como serão os investimentos em 2023  

Ontem, após o fechamento do mercado, a Suzano anunciou que vai investir R$ 18,5 bilhões em 2023, uma alta de 15% em comparação ao investido neste ano.

A maior parte do aumento do investimento, de acordo com a companhia, decorre do maior volume em recursos para o Projeto Cerrado, uma nova fábrica de celulose no Mato Grosso do Sul, no valor total de R$ 8,9 bilhões, considerando investimentos industriais, florestais, infraestrutura e logística.

Em relação ao investimento restante, R$ 6,4 bilhões serão direcionados para manutenção, uma alta de 16,36% ante 2022, enquanto R$ 800 milhões serão direcionados para expansão, modernização, terminais portuários e outros, valor 14,28% maior na mesma base de comparação.

Por fim, o único desembolso que terá queda em comparação a este ano é o investimento em terras e florestas, no valor de R$ 2,4 bilhões, uma baixa de 7,69%.

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