Infracommerce (IFCM3): prejuízo sobe 310% no 2º trimestre e empresa anuncia aumento de capital

No 2º trimestre, a Infracommerce teve um prejuízo líquido de R$ 60,9 milhões

Infracommerce/Divulgação

A Infracommerce (IFCM3), empresa que atua no chamado full commerce, com serviços para companhias de e-commerce que vão desde a oferta de uma plataforma eletrônica de pagamentos até as operações de logística e entrega de produtos, viu o custo de suas aquisições pesar sobre o resultado líquido do segundo trimestre e apresentou um prejuízo 310% maior em comparação com o mesmo período do ano passado.

De abril a junho de 2022, a empresa teve um prejuízo líquido de R$ 60,9 milhões. No mesmo período no ano passado, o resultado havia sido negativo em R$ 14,8 milhões. Já o lucro bruto subiu 151,4% e atingiu R$ 91,5 milhões.

Apesar disso, a receita líquida da Infracommerce foi de R$220,4 milhões no segundo trimestre de 2022, um avanço de 178% na comparação anual. Contudo, parte desses resultados compreende a receita das empresas adquiridas ao longo dos últimos meses. Sem contar esse fator, a receita teve um crescimento orgânico de 46% na mesma base.

Em entrevista à Agência TradeMap, Fábio Bortolotti, diretor de internacionalização e de relação com os investidores da Infracommerce, avaliou que a empresa continuou a “crescer forte”, destacando principalmente a evolução na receita.

“Nossos números mostram um pouco a resiliência do modelo de negócio que nossos clientes buscam, de cada vez mais ir direto ao consumidor, sem intermediários, sendo no mercado físico ou e-commerce”, comentou o executivo.  

Outro destaque do trimestre, de acordo com a Infracommerce, foi o Ebitda (o lucro antes dos juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado, que atingiu R$18,8 milhões no trimestre. O montante traz um avanço de 809% na comparação anual.  A margem Ebitda atingiu 8,5%, um aumento de 6,4 pontos percentuais.

Infracommerce 2t22
Arte: Rachel Santos/TradeMap

Outros números operacionais da Infracommerce

O valor bruto de mercadorias vendidas no e-commerce, conhecido pela sigla GMV (gross market value, em inglês), atingiu R$ 3,08 bilhões no segundo trimestre de 2022. Esse montante corresponde a um avanço de 100,2% em relação aos R$ 1,54 bilhões atingidos no mesmo trimestre em 2021.

Já o valor total dos pagamentos processados no período (TPV, na sigla em inglês) foi de R$ 828,7 milhões de abril a junho de 2022, um aumento de 352,5% na comparação anual. “Nosso TPV aumentou bastante pelas aquisições que fizemos ao longo do último ano”, avaliou Bortolotti.

Freio nas aquisições

Em relação à novas compras de empresas, Fábio Bortolotti destacou que o foco atual da empresa é integrar as aquisições recentes ao ecossistema da Infracommerce.

“Seguimos monitorando possíveis aquisições e oportunidades, mas nosso foco é integrar os M&As que fizemos no passado, que são bem sinérgicos e fazem sentido ao nosso negócio”, afirmou.

Ele avalia que esse processo pode trazer mais rentabilidade e eficiência para a empresa. Desde que fez o seu IPO, em maio do ano passado, a Infracommerce adquiriu diversas empresas com o perfil de concorrentes.

Em 2021, comprou a Synapcom por R$ 1,2 bilhão, a Tatix, por R$ 124 milhões, o que fez a companhia se tornar líder em seu segmento, e a Summa Solutions, empresa argentina que desenvolve plataformas de e-commerce para outros negócios, em uma transação de US$ 9 milhões. No início desse ano, a Infracommerce comprou a Tevec por R$ 25 milhões.

Desafios para o segundo semestre

Para o restante do ano, Bortolotti revelou que a Infracommerce decidiu, após conversas com o conselho administrativo e com os acionistas, fazer um aumento de capital privado da empresa. “A ideia é captar pelo menos R$ 200 milhões, mas nossa meta é R$ 400 milhões”, afirmou o executivo.

De acordo com o diretor, essa injeção de dinheiro no caixa irá ajudar a empresa a equilibrar a estrutura de capital num cenário de juros altos. Esse aumento, que é considerado “importante” para ele, deve equalizar a despesa financeira, que nesse trimestre ficou em R$ 117,4 milhões, um avanço de 127% na comparação anual.

“Isso abre caminho para buscarmos o lucro líquido mais rápido do que prevíamos. Além disso, fortalece a empresa em entregar o que já temos entregado. Finalizar esse ano sem essa questão da despesa, que é um ponto de atenção do mercado junto à nós, é muito importante”, finaliza Fábio Bortolotti.

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