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Inadimplência de cartão de crédito das varejistas aumenta, mas nível ainda não é preocupante

Inadimplência de cartão de crédito das varejistas aumenta, mas nível ainda não é preocupante

Empresas como Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3), Marisa (AMAR3) e Guararapes (GUAR3) vêm lidando com aumento de atrasos e calotes em seus cartões de crédito

Foto em close de mãos escolhendo roupas em uma arara

Foto: Shutterstock

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A inadimplência é um dos temas do momento no mercado financeiro, principalmente quando se trata de bancos e fintechs. Porém, esse problema não é exclusividade das instituições financeiras. As varejistas de moda, como Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3), Marisa (AMAR3) e Guararapes (GUAR3), que opera a marca Riachuelo, também vêm lidando com o aumento de atrasos e calotes em seus cartões de crédito.

Em um cenário de alta de inflação, o poder de compra da população tende a ser pressionado, sobrando pouco dinheiro para pagar dívidas, o gera ainda mais dúvidas sobre a capacidade de pagamento das famílias.

No entanto, na visão de especialistas consultados pela Agência TradeMap, até o momento, esse aumento da inadimplência registrado pelas varejistas não chegou a níveis preocupantes.

Rafael Dancour, analista da MOS Capital, ressalta que, durante a pandemia, as companhias foram capazes de registrar índices de inadimplência muito positivos, uma vez que, com os auxílios do governo, a população tinha mais renda disponível para pagar em dia e até mesmo quitar dívidas passadas.

Empresa Inadimplência
1º trimestre de 202o
Inadimplência
1º trimestre de 2021
Inadimplência
1º trimestre de 2022
C&A (CEAB3) 5,6% 1,1% 5,3%
Guararapes (GUAR3) 7,0% 7,4% 4,1%
Lojas Renner (LREN3) 6,2% 1,7% 3,4%
Marisa (AMAR3) 7,7% 6% 7%
Fonte: Balanços das companhias, elaborado pela Agência TradeMap

Contudo, daqui para frente, os resultados do braço financeiro das varejistas de moda devem piorar muito, pressionados tanto pelo aumento de juros, que pesa sobre os custos de capital, quanto pelo aperto na renda da população, que limita a capacidade de as companhias repassarem esse aumento de custos para o cliente final, explica Denise Pondé, gestora de ações da ARX Investimentos.

As próprias varejistas de moda já vêm dando indícios de que a situação pode se agravar e que podem precisar colocar o pé no freio na concessão de crédito nos próximos meses. “Todos eles já estão com um discurso de ter que moderar, entender que o cenário é outro…”, diz Dancour.

Um dos fatores que joga contra essas empresas, de acordo com Pondé, é o público-alvo das lojas de departamento, focado em classes mais baixas – e que sofrem mais em momentos de crise econômica.

Outro efeito do aumento da inadimplência e do cenário macroeconômico atual, aponta Rogério Zarpao, research analyst da Exploritas, é um aumento no provisionamento das operações financeiras, o que já vem acontecendo, segundo o analista.

Quanto isso pesa para as empresas?

Diante destes dados, a grande pergunta pode ser quanto a piora na qualidade de crédito pode impactar os resultados gerais das varejistas. E a resposta é: depende.

Ainda que sejam operações relevantes de todas as companhias, algumas tendem a sofrer mais, a depender da participação do uso do cartão no total de vendas e do peso da operação financeira nos resultados consolidados.

Empresa Vendas nos cartões próprios (1T22)
C&A (CEAB3) 20%
Guararapes (GUAR3) Dados indisponíveis
Lojas Renner (LREN3) 34,7%
Marisa (AMAR3) 38,8%
Fonte: Balanços das companhias, elaborado pela Agência TradeMap

 

Empresa % das operações financeiras na receita
C&A (CEAB3) 5,6%
Guararapes (GUAR3) 28,8%
Lojas Renner (LREN3) 25%
Marisa (AMAR3) 25,6%
Fonte: Balanços das companhias, elaborado pela Agência TradeMap

Para Zarpao, outra variável importante, é a participação de cartões de crédito private label, aqueles que só podem ser utilizados para compras dentro das próprias lojas, e de cartões bandeirados, que podem ser utilizados para qualquer tipo de compra. “No private label, o lojista conhece mais o cliente e seus hábitos de consumo, então consegue calibrar limites. Agora, para os bandeirados, o cuidado tem de ser maior”, explica.

Empresa Vendas no cartão private label Vendas no cartão bandeirado
C&A (CEAB3) 10% 10%
Guararapes (GUAR3) Dados indisponíveis Dados indisponíveis
Lojas Renner (LREN3) Dados indisponíveis Dados indisponíveis
Marisa (AMAR3) 4,7% 35,7%
Fonte: Balanços das companhias, elaborado pela Agência TradeMap

E daqui para frente?

Apesar de os analistas admitirem estar olhando para estes dados, até o momento, a inadimplência não é um grande ponto de preocupação. Isso porque a percepção é que há uma série de alternativas para driblar o problema.

“O que vemos, pelos dados macro como um todo, é que provavelmente terá sim algum tipo de inadimplência neste setor. Mas acho que ainda não é nada que chame atenção”, diz Dancour.

Em primeiro lugar, Zarpao explica que as empresas terão de optar entre seguir crescendo suas carteiras de crédito ou pisar no freio para se proteger de um aumento na inadimplência. “A questão agora é calibrar o crescimento no financiamento versus a concessão”.

O analista da Exploritas diz ainda que, mesmo que as companhias devam realizar alguns ajustes na política de concessão, estas não devem ser mudanças estruturais. Zarpao ressalta, no entanto, que uma redução drástica na concessão pode ser prejudicial, devido ao próprio perfil dos clientes.

“Há uma parcela grande da população que ou não é bancarizada, ou só consegue comprar o produto com parcelamento. É algo fundamental para que haja crescimento e aumento da penetração de vendas”, explica o analista da Exploritas. “É uma alavanca de vendas importantíssima para qualquer varejista”, completa.

Uma outra maneira de compensar esse efeito, segundo Dancour, seria desacelerar os investimentos nas operações digitais, que consumiram grande parte do capital das varejistas nos últimos anos.

No mesmo sentido, Zarpao acredita que estas empresas terão de calibrar a alocação de capital em suas operações, elegendo prioridades. Ou seja, terão de optar entre conceder mais crédito, expandir número de lojas, investir em digital etc. “Acho que isso vai ser uma particularidade de cada empresa”.

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