Ibovespa descola dos EUA, sobe 0,58% e retoma os 105 mil pontos; alta na semana chega a 2,8%

Mercado reagiu a dados de produção industrial e à mudança na perspectiva sobre juros

Em dia de volatilidade acentuada e de queda das bolsas americanas, o Ibovespa conseguiu encerrar o pregão no campo positivo, com alta de 0,58%, aos 105,070 pontos.

O índice, que oscilou entre 104.090 e 106.814 pontos, chegou a subir 2,24% na máxima do dia, pela manhã, mas sucumbiu ao clima mais negativo vindo dos Estados Unidos, onde investidores estão temerosos com o aumento dos juros. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 2,8%, mas, no ano, ainda cai 11,7%.

“O Ibovespa devolveu todo o ganho conquistado nas primeiras horas de pregão e não foi capaz de driblar o maior nível de aversão ao risco das bolsas americanas, que vão para o último mês do ano em um processo de correção natural após a forte alta acumulada em 2021”, diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

No Brasil, dados mostraram uma queda maior que a esperada na produção industrial de outubro, depois de números recentes revelarem que o país entrou em recessão no terceiro trimestre. O indicador fraco ajudou a assentar as apostas de que o Banco Central elevará a taxa básica de juros, a Selic, em 1,5 ponto porcentual na semana que vem, e será cauteloso nas próximas altas, para evitar afundar a economia.

No fim de novembro, o mercado chegou a esperar altas de juros mais intensas por causa do nível elevado da inflação e de notícias que apontavam a possibilidade de mais frouxidão nos gastos públicos, o que afetou negativamente os preços das ações.

Essa mudança na percepção sobre a trajetória dos juros por aqui deu força a papéis do segmento de varejo e de tecnologia, que sofrem mais do que os demais setores quando há aposta de taxas de juros mais altas.

Investidores ficaram ainda mais confiantes nessa alteração depois que o governo dos Estados Unidos publicou dados mostrando que a geração de emprego no país ficou bem abaixo do previsto.

O efeito do indicador sobre os mercados de Wall Street foi semelhante ao da produção industrial por aqui. Como a leitura foi pior que a esperada, por alguns momentos, investidores chegaram a apostar que isso diminuiria as chances de o banco central americano remover mais cedo os estímulos ao crescimento econômico — algo que vai ser discutido na próxima reunião do Federal Reserve (Fed), nos dias 14 e 15 de dezembro.

Além do vai e vem provocado pelos indicadores, o analista Gustavo Akamine, da Constância Investimentos, ressalta que a volatilidade do mercado aumentou muito desde o anúncio da variante Ômicron do coronavírus, na semana passada.

“Se você olhar o patamar em que está negociando tanto S&P como o Nasdaq, parece que o mercado começou a rever os cenários, principalmente para as ações de tecnologia, que sofreram mais na última semana”, avalia.

Destaques do pregão

Entre os destaques do dia, as ações esquecidas pelo mercado nas últimas semanas tiveram um pregão de redenção. A Méliuz (CASH3), que nos últimos quatro meses perdeu 78% do valor de mercado, disparou 31,03% e liderou as altas do Ibovespa.

A companhia reportou um volume bruto de mercadoria (GMV, na sigla em inglês) de R$ 923 milhões no mês passado, seu maior patamar da história. O novembro de 2021 da Méliuz, impulsionado pela Black Friday, foi 87% maior que o mesmo mês do ano passado.

O arrefecimento das taxas dos contratos de juros futuros também ajudou.

Empresas de alto crescimento, que têm seu valor no futuro e dependem de uma atividade econômica mais ativa, se beneficiaram na Bolsa. Foi o caso da Locaweb (LWSA3) e do Magazine Luiza (MGLU3). Enquanto a ação da primeira subiu 8,60%, a da varejista avançou 4,29%, recuperando parte do terreno perdido nos últimos meses.

Na direção oposta, papéis de frigoríficos tiveram dias de perdas. Marfrig (MRFG3) teve queda de 5,74%, enquanto JBS (JBSS3) recuou 4,84%.

Agenda da semana reserva Copom e inflação

Os dois principais eventos para o mercado brasileiro na semana que vem serão o anúncio da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o Copom, na quarta-feira, e a divulgação de dados a respeito da inflação do Brasil em novembro, na sexta-feira. No mesmo dia, será publicada a inflação ao consumidor dos Estados Unidos.

Os indicadores serão fundamentais para esclarecer aos investidores se os esforços dos bancos centrais de ambos os países estão fazendo diferença na contenção da alta dos preços.

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