Ibovespa anula ganhos da semana e fecha sexta-feira em queda de 1%

Índice seguiu o mau humor dos mercados globais em meio a decisões de política monetária

Foto: Divulgação

O Ibovespa seguiu a tendência do dia e fechou o pregão no vermelho, perdendo 1,04%, aos 107.200 pontos. Com isso, o índice anulou os ganhos que havia acumulado ao longo da semana.

A queda do principal índice da bolsa brasileira acompanhou o movimento do exterior. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em baixa de 1,03%; o Dow Jones, de 1,48%; e o Nasdaq, de 0,07%. Na Europa, o EuroStoxx 50 perdeu 0,96%; o FTSE 100, de Londres, subiu 0,13%; e o DAX, da Alemanha, recuou 0,67%.

As baixas ao redor do mundo se devem, na visão de Jennie Li, estrategista de ações da XP Investimentos, à repercussão das decisões de política monetária dos principais bancos centrais.

“Foi uma semana bem importante, marcada por decisões dos principais bancos centrais do mundo. Tivemos decisão do Fed (Federal Reserve), o banco central americano, e dos bancos centrais da Europa, da Inglaterra e do Japão. Todos eles deram uma mensagem muito mais hawkish dessa vez, com o objetivo de controlar a inflação”, explica.

A postura hawkish, nesse caso, significa a aceleração da retirada de estímulos da economia e, em alguns casos, aumento nas taxas de juros. Ainda que estas medidas atuem para combater a inflação, elas causam desaceleração no crescimento econômico, o que explica o mau humor dos mercados.

“Em termos de agenda econômica, está relativamente mais vazio, então eu vejo isso como principal razão de vermos esse movimento de queda nesse momento”, completa Li.

Além disso, os temores com as consequências para a economia da disseminação da Ômicron, nova variante do coronavírus, contribuíram para o mau humor dos mercados.

No fechamento, as maiores baixas do Ibovespa eram Yduqs (YDUQ3), Getnet (GETT11) e Banco Inter (BIDI11), que perdiam 8,29%, 6,08% e 6,07%, respectivamente. Na ponta positiva, os líderes eram Natura (NTCO3), BR Malls (BRML3) e BRF (BRFS3), com ganhos de 5,91%, 5,52% e 5,39%.

Destaques

A semana foi positiva para os frigoríficos, que tiveram dias consecutivos de alta. Depois da retirada do embargo da China para a carne brasileira, a notícia do dia foi o anúncio da nova oferta de ações (follow-on) da BRF, que pode melhorar o endividamento da empresa. A oferta, ainda, abre espaço para a Marfrig aumentar sua participação na companhia com condições mais favoráveis.

Com isso, a BRF, como mencionado, encerrou a sessão em alta de 5,39%, negociada a R$ 21,50, a Marfrig (MRFG3) registrou avanço de 3,71%, a R$ 23,78. Depois de terem subido durante a semana, porém, a JBS (JBSS3) caiu 1,65%, a R$ 37,09, enquanto a Minerva (BEEF3) teve perdas de 0,2%, a R$ 9,89.

Entre as principais notícias do dia, a Taesa (TAEE11) desbancou a Copel (CPLE6) e arrematou o lote um do leilão de transmissão de energia. A notícia foi recebida com certa cautela pelos mercados.

Na análise da Ativa Investimentos, “dada sua escala, a companhia pode conseguir extrair melhores taxas reais no projeto, mas conforme esperávamos, o nível de competitvidade certamente resultará em maiores dificuldades para a companhia obter margens compatíveis com seus projetos mais antigos”.

No fechamento, as ações da Taesa eram cotadas a R$ 36,57, baixa de 0,03%, enquanto as da Copel valiam R$ 6,42, alta de 0,94%.

O lote 4 do leilão foi arrematado pela Neoenergia (NEOE3), com proposta de R$ 37,1 milhões, que desbancou a oferta da Cemig (CMIG4). O papel da Neoenergia fechou em alta de 0,63%, a R$ 17,67, enquanto o da Cemig subiu 1,22%, a R$ 14,12.

Outra aquisição de destaque veio da Petrobras (PETR4), que arrematou reservas de petróleo nas áreas de Atapu e Sépia por R$ 4,2 bilhões. O movimento já era esperado pelo mercado, e os papéis da estatal fecharam em baixa de 2,36%, a R$ 28,99.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a exploração das duas áreas permitirá elevar a produção brasileira de petróleo em 12% nos próximos cinco anos.

Também entre as petrolíferas, a PetroRio (PRIO3) virou e passou a avançar depois de receber recomendação de compra do Bank of America (BofA), que fixou seu preço-alvo em R$ 28,50, o que representa um potencial de valorização de 42% em relação ao preço do fechamento de quinta-feira. A R$ 20,30, o papel fechou o pregão de hoje em alta de 1,4%.

Ainda em commodities, a Bradespar (BRAP4) informou intenção de reduzir sua participação na Vale (VALE3) por meio da distribuição de ações. Bradespar fechou em alta de 0,61%, a R$ 23,14, enquando Vale caiu 1,58%, a R$ 79,17.

A Eletrobras (ELET3) inverteu a tendência da semana e terminou o dia em alta de 2,02%, a R$ 33,82, depois de Albuquerque afirmar que a privatização da companhia irá ocorrer no segundo trimestre de 2022.

Os bancos, que passaram o dia no vermelho, se recuperaram um pouco perto do fechamento, mas registraram fortes quedas. O Banco do Brasil (BBAS3) fechou em baixa de 3,44%, a R$ 30,33, o Bradesco (BBDC4) perdeu 2,8%, a R$ 19,82, o Itaú (ITUB4) teve recuo de 2,19%, a R$ 21,45, e o Santander (SANB11) cedeu 3,69%, a R$ 31,05.

O setor siderúrgico, destaque positivo durante a semana, também fechou em território negativo. CSN (CSNA3) caiu 1,36%, fechando a R$ 25,47; Gerdau (GGBR4) perdeu 2,75%, a R$ 29,01, enquanto Usiminas (USIM5) teve baixa de 1,33%, a R$ 15,54.

Também no negativo, as ações de tecnologia, que apanharam ao longo da semana, fecharam em queda. “A alta dos juros futuros tiveram grande impacto sobre as ações, tanto aqui como no exterior. O movimento se justifica porque essas companhias costumam depender de financiamento, que passa a custar mais com a alta dos juros”, explica Alexsandro Nishimura, economista e sócio da BRA.

Na contramão, as ações de companhias aéreas tiveram altas significativas em meio à diminuição da cautela com a variante Ômicron. Azul (AZUL4) fechou em alta de 2,29%, a R$ 25,42, e Gol subiu 0,83%, a R$ 18,18.

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