Dados econômicos piores do que o esperado na Europa deram impulso aos temores de uma desaceleração na economia global, pesando sobre as Bolsas ao redor do mundo – e por aqui não foi diferente.
Por volta de 13h10 desta terça-feira (5), o Ibovespa operava em queda de quase 2%, aos 96.937 pontos.
A queda do índice era acompanhada de seus pares estrangeiros. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou em forte baixa de 2,68%. Nos Estados Unidos, onde as Bolsas reabriram depois do feriado da Independência, o S&P 500 caía 1,58%, o Dow Jones recuava 1,87%, e o Nasdaq perdia 0,45%.
De acordo com André Luzbel, head de renda variável da SVN Investimentos, o principal motivo por trás da queda das Bolsas é a divulgação dos PMIs da Zona do Euro.
Os dados mostraram que o índice sobre a atividade do setor privado europeu caiu para 52 pontos em junho, de 54,8 pontos em maio. A leitura, superior a 50 pontos, ainda aponta expansão da atividade, mas, segundo Chris Williamson, economista-chefe para empresas na S&P Global, sugere que a economia da Europa pode encolher no terceiro trimestre.
“O setor industrial já está encolhendo, pela primeira vez em dois anos, e o setor de serviços sofreu uma perda notável no ritmo de crescimento por causa da crise no custo de vida”, diz Williamson, em relatório.
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Segundo o economista, os números sugerem que o crescimento da economia europeia pode desacelerar para 0,2% no segundo trimestre, e que nos meses à frente o desempenho pode piorar, visto que as empresas reportaram queda nas novas encomendas e nas expectativas de negócios.
Neste cenário, o euro caiu para uma mínima em 20 anos em relação ao dólar. A moeda americana também tem forte valorização contra o real, operando em alta de 1,17%, a R$ 5,3918.
Por aqui, o centro das atenções segue sendo o cenário fiscal, com o mercado aguardando a tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que permite gastos de R$ 41,25 bilhões fora do teto para financiar uma série de benefícios sociais. Para os investidores, o efeito é de uma piora na percepção de risco fiscal.
Altas e baixas do pregão
Outro efeito dos riscos de recessão global é a queda nos preços do petróleo, com o Brent sendo negociado em baixa de 9%, a US$ 103,28 por barril. Com isso, as ações de petroleiras brasileiras dominavam a lista de maiores quedas do Ibovespa.
A PetroRio (PRIO3) tinha baixa de 6,63%, seguida por 3R Petroleum (RRRP3), que operava em queda de 6,04%; Petrobras (PETR3), caindo 5,21%; e Petrobras (PETR4), com recuo de 4,39%.
Outros papéis que tinham forte queda eram os de companhias aéreas, com a Gol (GOLL4) caindo 5,43% e a Azul (AZUL4), 4,21%.
“As aéreas se beneficiariam da queda do petróleo, mas duas variáveis as afetam negativamente: a alta do dólar e a desaceleração. Com a economia mais fraca, as pessoas viajam menos e há menos transporte de cargas”, explica Luzbel.
Na direção oposta, as maiores altas do Ibovespa eram de BRF (BRFS3), Petz (PETZ3) e Eztec (EZTC3), com valorizações de 7,06%, 5,42% e 5,38%, respectivamente.
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Em relação à BRF, que acumula forte desvalorização desde o ano passado, a alta é explicada pela queda nos preços do milho, matéria prima utilizada na alimentação de animais, segundo Luzbel. O analista ressalta, porém, que o movimento deve ser temporário.
A valorização de ações ligadas à economia doméstica, como varejistas e construtoras, também deve ser um movimento pontual, na visão do especialista.
“Com a fuga de investidores pessoa física, temos visto um movimento maior de institucionais e estrangeiros que, pontualmente, montam posições em ativos que sofreram forte desvalorização”, explica o analista. “Acreditamos que essas altas pontuais sejam um movimento liderado por grandes investidores, e não por uma mudança de cenário para essas empresas”, completa.