Depois de a Gol (GOLL4) ter divulgado suas projeções para os resultados do quarto trimestre nesta segunda-feira, dia 10, a equipe de analistas do Goldman Sachs afirmou que a companhia aérea pode voltar a ser lucrativa antes do esperado.
Em relatório distribuído na segunda-feira, os analistas afirmam que os dados de receita projetados pela Gol para o trimestre podem fazer com que os números da companhia superem as projeções do banco.
“Os números poderiam indicar que a Gol está sendo capaz de repassar os custos mais altos para as tarifas para recuperar a lucratividade mais rápido do que o esperado”, diz o banco.
A alta nos custos se deve principalmente ao fato de 35% dos custos da Gol serem denominados em dólar, como o custo de combustível, que também é impactado pela alta nos preços do petróleo tipo Brent.
O relatório do Goldman Sachs não traz previsões para o lucro líquido da companhia, mas mostra o que espera para o Ebitda, o indicador que o calcula o lucro sem considerar juros, impostos, depreciações e amortizações.
Para o Goldman Sachs, a Gol deve ter um Ebitda positivo de R$ 1,997 bilhão em 2022, depois de um resultado negativo de R$ 1,008 bilhão em 2021. A última vez que a Gol teve um Ebitda positivo foi em 2020, com R$ 919,2 milhões.
Com um viés positivo para as suas projeções, o banco reiterou sua recomendação de compra para as ações da Gol, com preço-alvo de R$ 24,60 em 12 meses. Por volta das 16h40 desta segunda, os papéis eram negociados em queda de 0,25%, a R$ 15,73.
O banco nota, no entanto, que a variante Ômicron pode criar riscos para a previsão de receita no curto prazo. As concorrentes Azul e Latam, por exemplo, informaram nesta segunda que cancelaram um total de 528 voos, principalmente por causa de pilotos e comissários de bordo que foram contaminados e precisaram ser afastados, sem possibilidade de reposição imediata.
Outros riscos para a performance da companhia são preços do petróleo acima do esperado, depreciação do real, diminuição na demanda por viagens aéreas e uma concorrência irracional.
Novas projeções superam expectativas
As novas estimativas da Gol são de crescimento de 35% na receita com passagens aéreas em relação ao total de assentos disponíveis e quilômetros voados (medida conhecida como PRASK) em relação ao quarto trimestre de 2020, acima da previsão de alta anual de 14% do Goldman Sachs.
A receita operacional em relação ao total de assentos disponíveis e quilômetro voados (RASK) de 2022, por sua vez, poderia ficar cerca de 13% acima dos níveis de 2019, enquanto o Goldman previa alta de 7%.
Os dados de demanda e capacidade vieram em linha com as projeções do banco: alta anual de 13% para a oferta, medida pelo indicador ASK, que multiplica o número de assentos disponíveis pelos quilômetros voados, e de 15% para a demanda, em uma métrica usada pelo setor que multiplica o número de clientes pelo total de quilômetros voados, conhecida pela sigla RPK.
A margem Ebitda para o quarto trimestre projetada pela Gol é de 35%.
Recuperação continua um destino distante
No balanço dos voos para dezembro publicado na última quarta-feira, dia 5, a Gol mostrou que tem conseguido se recuperar aos poucos dos estragos causados pela pandemia, mas que ainda está longe de chegar aos níveis que tinha antes do início da crise sanitária.
No último mês do ano, marcado pelo aquecimento proporcionado pelas férias escolares e pela alta temporada, a demanda cresceu 14,7% em relação a igual mês de 2020. O número, porém, ainda ficou 27% abaixo do que foi o mês de dezembro de 2019.
Em relação à oferta de voos, a dinâmica se repetiu. Houve um crescimento de 13,4% em dezembro ante igual mês de 2020, mas também um recuo de 27% em comparação ao último mês de 2019.