As moedas de países emergentes – entre elas o real – tiveram um começo de ano positivo, valorizando-se em relação ao dólar, mas este movimento de alta terá vida curta, segundo análise do banco americano Wells Fargo.
O dólar perdeu força em relação a uma série de moedas emergentes desde o fim de dezembro. O pico mais recente em relação ao real foi atingido em 21 de dezembro, quando a Ptax – a taxa de câmbio oficial – foi de R$ 5,7372 por dólar. De lá para cá, o dólar caiu 3,8% em relação à moeda brasileira, e em 2022 acumula perda de 1,1%.
Em relação a outras moedas emergentes, a queda do dólar é mais expressiva. O sol peruano subiu 4,2% em relação à moeda americana neste ano, e o peso chileno, 3,7%.
Segundo o Wells Fargo, essa valorização reflete uma série de fatores, entre eles declarações do presidente do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, sugerindo que a instituição vai elevar os juros do país sem prejudicar a recuperação da economia mundial.
Além disso, “pode haver fluxos de capital dos Estados Unidos para mercados estrangeiros. Sob várias métricas, as ações nos Estados Unidos estão relativamente caras, enquanto as ações internacionais podem estar com preços mais justos. Os investidores podem estar migrando seu capital para as ações internacionais”, afirmou o Wells Fargo.
Este movimento positivo nas moedas de países emergentes, porém, deve durar no máximo até o Federal Reserve, como é chamado o banco central dos Estados Unidos, começar a elevar as taxas de juros.
“Se o Fed começar a elevar os juros em março ou um pouco depois, a atratividade relativa do dólar pode melhorar e, achamos, impulsionar a moeda. Além disso, acreditamos que os participantes do mercado eventualmente começarão a olhar os fundamentos associados às economias. Neste aspecto, a economia americana ainda está com desempenho superior porque os fundamentos seguem firmes”, disse o Wells Fargo.
No caso específico do Brasil, a instituição financeira acredita que o real pode ser mais penalizado por causa das eleições presidenciais. “Achamos que políticos mais inclinados à esquerda ganharão força significativa até a votação. O risco político associado às eleições deve pesar sobre a moeda brasileira.”