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Depois de abrir em alta, Ibovespa recua com juros futuros e cenário fiscal

Depois de abrir em alta, Ibovespa recua com juros futuros e cenário fiscal

Virada do índice segue a desaceleração das ações que têm maior peso e dos papéis cíclicos, a exemplo dos varejistas, e vai na contramão das bolsas do exterior

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Foto: Divulgação

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Depois de abrir o pregão em alta, o Ibovespa virou e tinha queda de 0,43% por volta das 14h desta segunda-feira, 3, aos 104.282 pontos. A virada do índice segue a desaceleração das ações que têm maior peso e dos papéis cíclicos, a exemplo de papéis do setor varejista, e vai na contramão das bolsas do exterior, que operam majoritariamente em alta.

“Uma coisa que acabou impactando bastante o nosso índice foi a subida dos juros futuros. As empresas que são mais cíclicas acabam sofrendo muito nesse cenário, e elas têm uma posição relevante dentro do Ibovespa, o que acaba afetando bastante”, aponta Gustavo Gomes, sócio e assessor de renda variável da Acqua-Vero.

No exterior, o S&P 500 tinha alta de 0,14%, o Dow Jones subia 0,08% e o Nasdaq tinha avanço de 0,57%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 subia 0,45% e o DAX, da Alemanha, ganhava 0,86%.

A variante Ômicron continua fazendo peso sobre o mercado, com os casos de coronavírus batendo recorde ao redor do mundo. Nos últimos sete dias, dez milhões de pessoas foram diagnosticadas com Covid-19, o dobro do pico de abril de 2021. As mortes, porém, continuam caindo.

No Brasil, o presidente Bolsonaro foi internado durante a madrugada e passa por exames para verificar suspeitas de obstrução intestinal. Segundo a Secretaria de Comunicação do governo federal, um desconforto abdominal foi o motivo da hospitalização. A Secretaria informou que “o presidente passa bem e que mais detalhes serão divulgados posteriormente, após atualização do boletim médico”.

Para além disso, o presidente sancionou a desoneração da folha para 17 setores até 2023. Em nota, a Presidência afirmou que “não será necessária nova compensação fiscal” porque “se trata de prorrogação de benefício fiscal já existente e a medida foi considerada no Relatório de Estimativa de Receita do Projeto de Lei Orçamentária de 2022”.

Na análise de Gomes, Acqua-Vero, as incertezas fiscais também pesam sobre o Ibovespa neste momento, depois de o presidente Bolsonaro ter mencionado a possibilidade de revisão do teto de gastos.

Nesta manhã ainda, os analistas de mercado ouvidos pela pesquisa Focus voltaram a reduzir suas projeções para alta do PIB em 2022. Agora, a expectativa é de um crescimento de 0,36%, inferior ao estimado na semana anterior, quando as apostas haviam sido reduzidas para 0,42%.

A avaliação é que neste ano a atividade irá sofrer com a forte elevação da taxa de juros e inflação ainda em um patamar alto, além das incertezas trazidas pelas eleições presidenciais.

Os analistas acreditam que a Selic encerrará 2022 em 11,5% ao ano. As apostas para o câmbio no final deste ano se mantiveram em R$ 5,60, e as projeções para o IPCA, em 5,03%.

O desenrolar da situação da Evergrande também pode fazer peso sobre o mercado brasileiro, na visão de Gomes. A empresa, por exemplo, tem potencial de impactar a Vale, visto que é uma grande consumidora de minério, explica o analista. Nesta manhã, empresa chinesa anunciou a suspensão da negociação de suas ações na bolsa de valores.

O analista da Acqua-Vero menciona também os últimos dados de PMI (Índice de Gerentes de Compras), que podem ter afetado o principal índice da B3, depois de registrarem contração de dezembro.

As maiores quedas do Ibovespa eram de Cyrela (CYRE3), Alpargatas (ALPA4) e Eztec (EZTC3), que perdiam 6,27%, 6% e 5,72%, respectivamente. Na ponta oposta, Itaú (TUB4), Bradesco ON (BBCD3) e Bradesco PN (BBDC4) lideravam as altas, com ganhos de 3,32%, 2,9% e 2,81%.

A derrapada da Alpargatas vem depois de a empresa vender toda a sua participação na Osklen, de cerca de 60%, por R$ 400 milhões à Dass, que havia feito uma proposta vinculante em novembro de 2021. Em nota, a Alpargatas afirmou que a venda está em linha com o planejamento estratégico da empresa, que prevê seu crescimento orgânico por meio da expansão da marca Havaianas em categorias beyond core.

A alta de gigantes como Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e bancos ajudam a limitar a queda do índice. Petrobras subia 1,93%, a R$ 29, enquanto Vale tinha avanço de 0,99%, a R$ 78,73.

As ações do setor bancário operam com valorização após o governo federal desistir de prorrogar as alíquotas mais altas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A medida estava em estudo para compensar as despesas com a desoneração da folha de pagamentos. Além de Itaú e Bradesco, Santander (SANB11) avançava 2,34%, a R$ 30,68, e Banco do Brasil (BBAS3) tinha elevação de 0,97%, a R$ 29,13.

Entre as cíclicas, como mencionado, destaque para Carrefour (CRFB3), que tinha baixa de 5,25%, a R$ 14,45, Raia Drogasil (RADL3), que perdia 5,14%, a R$ 23,05, e Grupo Soma (SOMA3), com recuo de 4,95%, a R$ 12,10.

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