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Copom mais rigoroso e exterior negativo param alta do Ibovespa, que cai 1,67%

Copom mais rigoroso e exterior negativo param alta do Ibovespa, que cai 1,67%

Além da decisão do Copom, pesou sobre o Ibovespa a queda no preço das ações no exterior, motivada por preocupações com os efeitos da variante Ômicron do coronavírus na economia

Acoes 1
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O Ibovespa fechou o pregão em queda de 1,67%, aos 106.291 pontos, depois de subir por cinco pregões seguidos. O índice foi afetado pela sinalização do Banco Central (BC) de que os juros ficarão altos por mais tempo. Também pesou a queda no preço das ações no exterior, motivada por preocupações com os efeitos da variante Ômicron do coronavírus na economia.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou ontem a taxa básica de juros (Selic), de 7,75% para 9,25%, e sinalizou que, em fevereiro, deve subir de novo, para 10,75%. O anúncio ficou dentro do que a maioria dos especialistas esperava. A parcela de surpresa veio de dois trechos específicos do comunicado com a decisão.

No primeiro, o Banco Central indicou que acha justificável manter os juros bem acima da inflação por um certo tempo. No segundo, disse que os juros ficarão altos até a inflação desacelerar e o mercado esperar altas de preço mais alinhadas com aquelas buscadas pela instituição – de 3,50% no ano que vem e de 3,25% em 2023. Para fins de comparação, hoje estas expectativas estão em 5,02% e 3,50%.

“A gente viu um comunicado do Copom mais agressivo do que o mercado esperava”, disse Alexandre Almeida, economista da CM Capital. “Isso trouxe uma perspectiva ruim para a bolsa porque a gente está falando basicamente de juros cada vez maiores”, acrescentou.

A expectativa da CM Capital é de que a Selic suba dos atuais 9,25% para 12,25% ao ano até maio de 2022. Essa alta da taxa, segundo Almeida, dificulta o funcionamento das empresas, em particular das que estão mais expostas a dívidas. Ele destaca também que parte da inflação atual é indiferente ao aumento dos juros por aqui.

“Uma parcela da inflação que vivemos hoje não é impactada pela decisão de política monetária porque são preços atrelados a energia, commodities, nível de chuva, reservatórios de usinas hidrelétricas. A política monetária vai mexer com estrutura inflacionária de atividade, preços de serviços, bens de varejo”, acrescentou.

Ômicron

Ao longo das últimas sessões, as bolsas subiram tanto lá fora quanto no Brasil diante de notícias sugerindo que as vacinas e medicamentos contra a covid-19 eram eficazes contra a Ômicron. Hoje, no entanto, os investidores deram mais atenção às restrições à circulação que alguns países adotaram para tentar conter a nova variante. O Reino Unido e a Dinamarca estão entre os que impuseram barreiras mais recentemente, mas a lista só cresce.

Este fator também pesou sobre o Ibovespa nesta quinta-feira. Almeida, da CM Capital, apontou que, com a maior aversão ao risco, o fluxo de investimento internacional tende a ir para ativos considerados mais seguros, como o dólar. Em Wall Street, o índice Dow Jones ficou praticamente estável, o S&P 500 recuou 0,72% e o Nasdaq fechou em baixa, de 1,49%.

Destaques do dia

As empresas do setor varejista tiveram as maiores perdas dentre os componentes do Ibovespa, afetadas pelo expectativa de atividade econômica mais fraca diante de juros mais altos. Lojas Americanas (LAME4 -9,41%), Magazine Luiza (MGLU3 -7,34%) e Via Varejo (VIIA3 -6,76%) foram destaque de queda.

O BDR do Nubank (NUBR33), que estreou hoje na bolsa, fechou em alta de 20,33%. O banco, que tem menos de uma década de funcionamento, ultrapassou instituições mais tradicionais, como Itaú e Bradesco, em valor de mercado.

A CSN (CSNA3) também conseguiu se desvencilhar da queda do Ibovespa e subiu 1,20%, depois de apresentar ontem um cenário positivo para seus negócios em 2022 e de ter a recomendação do papel elevada para compra pelo Morgan Stanley.

Na agenda de amanhã

O foco do mercado amanhã estará sobre os dados de inflação ao consumidor no Brasil – às 9h – e nos Estados Unidos – às 10h30. Leituras que mostrem uma aceleração da alta nos preços podem ser negativas para as bolsas dos dois países, pois fortaleceriam as apostas de alta nos juros por aqui e de remoção de estímulos monetários por parte do banco central americano.

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