A dois dias da véspera de Natal, a agenda de indicadores econômicos no Brasil e no exterior traz poucos destaques. Hoje, o item mais relevante da lista é o índice de confiança do consumidor, que será divulgado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) às 8h e que tem piorado nos meses recentes.
Os consumidores brasileiros estão perdendo confiança desde agosto. O movimento começou por causa de preocupações com a situação da economia. Depois, se espalhou para as expectativas em relação ao futuro.
Em novembro, a confiança estava tão baixa que atingiu o menor nível desde abril, mesmo mês em que o Brasil bateu recorde de mortes de covid-19. Houve piora em todas as faixas de renda, exceto entre as famílias que ganham de R$4.800 a R$ 9.600 por mês. Em dezembro, a situação deve continuar ruim.
Um dos principais motivos para a baixa confiança é a preocupação do consumidor com as próprias finanças, e isso não melhorou. No final do mês passado a Confederação Nacional do Comércio mostrou que a inadimplência das famílias voltou a crescer pela primeira vez desde fevereiro. Além disso, apontou que a parcela endividada da população seguiu aumentando pelo 12º mês consecutivo.
Junte a isso o aumento da taxa básica de juros – que encarece os financiamentos – e a inflação acima de 10% ao ano – que reduz o poder de compra dos trabalhadores -, e é difícil encontrar espaço para otimismo, ainda que o quadro de emprego tenha começado a melhorar.
Níveis baixos de confiança do consumidor sugerem redução da demanda, o que é negativo para a economia em geral, mas principalmente para empresas de varejo mais dependentes de produtos não essenciais. O mercado, no entanto, já trabalha com perspectivas pessimistas para estas empresas por causa dos juros altos.
Durante a tarde, o mercado acompanha a divulgação do Relatório Mensal da Dívida Pública, que será divulgado às 14h30 pelo Tesouro Nacional.
PIB e estoques de petróleo nos EUA
No exterior, haverá a divulgação, às 12h, de dados sobre a confiança do consumidor, mas nos Estados Unidos. Por lá a confiança também está caindo, refletindo receios com a inflação elevada e com o aumento de casos de covid-19.
O país registra cerca de 146 mil novos casos por dia da doença. Para fins de comparação, o Brasil registra no momento por volta de 3.500 novos casos diariamente.
Às 10h30, sai o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre nos Estados Unidos, na terceira e última revisão do dado. Analistas ouvidos pela Reuters esperam uma alta de 2,1%.
Um pouco mais tarde, às 12h30, o DoE (Departamento de Energia) americano informa os estoques de petróleo acumulados até 17 de dezembro. Esse número é acompanhado com atenção, já que pode mexer com a cotação da commodity e com os preços da Petrobras.