Commodities pressionam Ibovespa para baixo; varejo é destaque positivo

Desistência da Marfrig em aumentar sua participação na BRF faz ações das duas empresas caírem; exportadoras sofrem com realização de lucros

B3/Divulgação

Após uma semana positiva para as commodities, as principais empresas exportadoras da Bolsa caem nesta segunda-feira, puxando o principal índice da B3 para baixo. Como resultado, às 14h25 o Ibovespa operava em queda de 0,08%, aos 111.825 pontos. O setor de alimentos recua em bloco, liderado por BRF (BRFS3), que cai 2,93%, e JBS (JBSS3), com desvalorização de 2,33%.

A queda da BRF se dá após a divulgação que a Marfrig (MRFG3) decidiu não utilizar follow on para aumentar participação acionária em nova emissão de ações da empresa. Outras companhias do setor também registram variação negativa nesta segunda-feira.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Outro movimento de recuo relevante é o da Vale (VALE3). A companhia, que é responsável por 14% de todas as ações negociadas na Bolsa, tem baixa de 2,62%. No acumulado mensal, porém, apresenta alta de 5%. Para o analista da Guide Investimentos Rodrigo Crespi, um dos fatores negativos para o desempenho da ações hoje é a desaceleração na importação chinesa por conta do feriado de Ano-Novo no país, que fechará os mercados de China e de Taiwan ao longo de toda a semana.

A única exceção positiva entre as exportadoras fica por conta da 3R Petroleum (RRRP3), que sobe 2,17%. As ações são impactadas positivamente pela compra do Polo Potiguar, localizado no Rio Grande do Norte, das mãos da Petrobras (PETR4). A operação inclui 22 campos de produção e é estimada em US$ 1,38 bilhão. Já as ações da estatal caem 0,28%.

Crespi, da Guide, acredita que a queda das empresas exportadoras se deve também à depreciação do dólar em relação ao real. Segundo dados da TradeMap, desde o início do pregão nesta segunda, a moeda americana recua 1% em relação à brasileira, sendo cotada à R$ 5,35.

O analista também vê uma “realização de lucros”, quando investidores entram no mercado para vender papéis que se valorizaram nos pregões mais recentes, causando queda nas ações de diversos setores.

Varejo puxando as altas

Por outro lado, segmentos mais expostos à economia doméstica lideram as altas do Ibovespa. TOTVS (TOTS3) apresenta a maior valorização, com 6,16%. Dentre os destaques positivos, ações de Via Varejo (VIIA3) e Magazine Luiza (MGLU3) avançam desde o início do pregão. As empresas sobem, respectivamente, 4,16% e 5,07%.

O Goldman Sachs divulgou um relatório neste domingo (30), em que aponta um movimento positivo para ambas as  companhias. Segundo o documento, ao analisar seus braços digitais de e-commerce, mudaram o foco dos negócios do crescimento para a lucratividade.

“Com o crescimento mais fraco em suas operações e pressões de custo de entrada, vemos as as duas empresas com uma exposição relevante de bens duráveis, reduzindo os subsídios de frete grátis e focando na proteção de margens de lucro”, afirma o banco. A instituição possui recomendação de compra para os papéis de Via Varejo e, em relação à Magalu, se mantém neutro.

O setor também é impulsionado pelos números da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgados nesta segunda, que mostraram que a intenção de consumo dos brasileiros é a maior desde maio de 2020.

O índice marcou 76,2 pontos, uma alta de 1,1% em relação a dezembro de 2021 e de 3,6% em comparação a janeiro do ano passado. Além disso, os resultados do Caged, divulgados nesta segunda também contribuem para um cenário positivo nas empresas de serviço.

Mesmo com o mês de dezembro tendo apresentado queda de 265,8 mil vagas com carteira assinada, o resultado para o ano foi positivo, com 2,7 milhões de empregos criados. No ramo de serviços, foram criadas 1,8 milhões de novas vagas no acmulado de 2021.

Para o economista da XP, Rodolfo Margato, “os agrupamentos de ‘serviços financeiros, profissionais e de informação” e ‘serviços de alimentação e hospedagem’ permaneceram em rota de recuperação firme. Além disso, o ‘comércio varejista’ contribuiu positivamente para o resultado geral, mas a desaceleração do seu saldo de emprego também merece atenção”, afirmou em nota.

Mercados externos

Bolsas globais apresentam dia positivo desde o início de seus pregões. Em Wall Street, os principais índices estão em alta. O Nasdaq Composto cresce 2,07%, o S&P 500 sobe 0,77% enquanto o Dow Jones apresenta subida mais tímida, de 0,05%.

Na Europa, o índice Euro Stoxx 50, que reúne empresas de todo o continente sobe 0,52%, enquanto o DAX, da Alemanha cresce 0,62%. A única exceção é o FTSE 100, de Londres, que recua 0,14%.

A temporada de resultados, nesta semana continua nos EUA, incluindo nomes de peso, como Amazon, Google e Meta (Facebook). Até o momento, das 169 empresas presentes no S&P 500 que divulgaram balanços, 77% superaram as expectativas de lucro.

Além dos resultados corporativos, os olhos dos investidores americanos estão voltados para a divulgação de dados sobre o mercado de trabalho, na sexta-feira (4). A expectativa é que os números dêem pistas dos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central do país).

No Velho Continente, o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu informam a taxa de juros do Reino Unido e da Zona do Euro, na quinta (3).

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