Choque do petróleo e tensão no Irã pressiona o Ibovespa

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

O Ibovespa iniciou a sessão desta segunda-feira (9) em baixa de 0,11%, orbitando os 179.163 pontos, em um reflexo direto da cautela que domina as praças globais. O mercado financeiro amanhece em estado de alerta máximo diante da escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que completa dez dias e atinge seu ápice crítico com o fechamento do Estreito de Ormuz. Esse estrangulamento logístico fundamental disparou o preço do petróleo para patamares não vistos desde 2022, com a commodity atingindo a marca de US$ 119 durante a madrugada. Enquanto o presidente Donald Trump minimiza o impacto inflacionário como um custo necessário pela paz, as potências do G7 e a Agência Internacional de Energia (AIE) correm contra o tempo para articular uma liberação coordenada de reservas estratégicas na tentativa de conter o choque global.

No cenário doméstico, o reflexo dessa tensão é imediato e impacta as projeções econômicas de curto e médio prazo. O Boletim Focus, divulgado nesta manhã, já registra uma elevação na expectativa para a taxa Selic, que subiu para 12,13% ao fim deste ano. O ajuste sinaliza que os juros devem permanecer em patamares restritivos por mais tempo para combater a pressão inflacionária vinda dos combustíveis. Nesse contexto, a Petrobras (PETR4) opera em alta de 2,92%, impulsionada pela valorização da commodity, embora o mercado acompanhe de perto o desafio técnico da estatal frente a uma defasagem nos preços internos que já ultrapassa 60% no diesel. A companhia segue no centro das atenções de investidores que buscam proteção em ativos de energia contra a aversão ao risco generalizada.

Apesar da volatilidade macroeconômica, o ambiente corporativo brasileiro revela movimentos estratégicos de grande magnitude. A Ultrapar (UGPA3) sacudiu o setor de energia com a notícia de negociações avançadas para a venda de 30% da Ipiranga para a gigante americana Chevron. O movimento, visto como uma otimização fundamental de portfólio para focar em áreas de maior crescimento, faz as ações subirem 3,37% nesta manhã. No setor de construção, a MRV&Co (MRVE3) apresentou um sinal operacional positivo ao reverter prejuízos e reportar lucro no último trimestre de 2025, beneficiada pelo vigor do programa Minha Casa Minha Vida. Contudo, as ações recuam 6,99%, em um movimento que reflete tanto a sensibilidade do setor imobiliário aos juros altos quanto uma possível realização de lucros após o balanço.

Entre os desdobramentos geopolíticos e a temporada final de resultados, o investidor brasileiro agora calibra suas apostas para uma semana que será marcada por dados cruciais de inflação no Brasil e no exterior. Vale notar que, com o início do horário de verão nos Estados Unidos, a B3 volta a encerrar suas operações às 17h, acompanhando o fechamento de Nova York e garantindo maior liquidez para as negociações de fechamento.

Por volta das 10h46, as listas das maiores altas e baixas eram dominadas por:

 

Altas

• Petrobras (PETR3): +3,52%

• Ultrapar (UGPA3): +3,37%

• Petrobras (PETR4): +2,92%


Baixas

• MRV (MRVE3): -6,99%

• Vamos (VAMO3): -4,03%

• Gerdau Metalúrgica (GOAU4): -2,81%


Confira a evolução do Ibovespa:

*Até o dia 09/03 às 10h46

• Segunda-Feira (09): -0,11%

• Na semana*: -0,11%

• Em março*: -5,10%

• No 1°tri./26*: +11,20%

• Em 12 meses*: +43,29%

• Em 2026*: +11,20%

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