Mesmo considerando a ação do Bradesco (BBDC4) “barata”, a Genial Investimentos parou de recomendar a compra do papel. Em relatório, a corretora diz vislumbrar um quarto trimestre de resultados fracos para a empresa, sem “gatilho de valorização” para a ação no curto prazo.
A Genial passou a ter recomendação neutra para a ação do Bradesco – ou seja, nem compra, nem venda -, e reduziu o preço-alvo do papel de R$ 24 para R$ 15,60 ao final de 2023.
“Com a deterioração do ciclo de crédito, acreditamos que os resultados de Bradesco devam piorar antes de melhorar. O desempenho do quarto trimestre de 2022 deve ser fraco e vemos 2023 com um lucro menor que 2022”, disse a corretora em relatório publicado na noite de quinta-feira (2).
A Genial projeta que o lucro líquido do Bradesco atinja R$ 4,17 bilhões mo quarto trimestre, resultado 31,8% maior que no mesmo período em 2021, mas 20% menor que os R$ 5,22 bilhões vistos no terceiro trimestre.
A corretora acredita que o custo de crédito será um dos grandes fatores negativos para o resultado da instituição, e projeta que o indicador avance 18,7% na comparação anual.
“Prevemos uma deterioração da carteira de crédito com aumento do custo devido ao mix da carteira mais exposta a pessoa física e PMEs, onde a inadimplência está sendo mais severa”, completa a Genial.
Somado a isso, a Genial afirma que o Bradesco é o banco com maior exposição às dívidas da Americanas (AMER3), o que pode impactar o provisionamento dos próximos trimestres – ou seja, o quanto o banco deverá “guardar” para se proteger de eventuais calotes.
Devido ao pedido de recuperação judicial da Americanas, os bancos precisam provisionar pelo menos 30% do montante total da dívida com a varejista. Nesse cenário, o lucro líquido ainda pode recuar mais 19% no quarto trimestre, segundo a Genial.
Por volta das 11h, as ações do Bradesco operavam em baixa de 0,50%, cotadas a R$ 13,87.